Levado para São Paulo, após 19 dias de torturas e todo tipo de selvageria, Manoel foi assassinado nos porões do DOI-Codi/SP.
Tu e Eles
te queimaram
nunca te curvaram
Eles dilaceraram
teu corpo
Nunca a tua alma
Eles venceram
teu corpo
Nunca a tua vontade
Eles te mataram
Estás vivo
Eles, os cadáveres dos sepultos
Tu, estrela radiante
Exemplo sempre presente
Eles, os inimigos do povo
Tu, a dignidade do homem
Eles, os sádicos carrascos
Tu, o amor, a justiça, a liberdade
Eles, armados, numerosos
Tu, desarmado, sozinho
Eles, amedrontados
Tu, firme como uma rocha
Eles, babando de ódio
sobre teu corpo inerte
aterrorizados, temendo tua dignidade
Tu dormindo o eterno plácido sono dos justos
Os que cumpriram o dever
Eles humilhados aterrorizados, temendo tua dignidade
Escondendo o teu corpo
Tu, amado admirado
Teu nome norma de conduta, esperança e exemplo
Eles, monstros fascistas
Tu, herói comunista
protótipo da humanidade futura
Eles, vermes anônimos
Tu, Manoel Lisboa de Moura.
Lucas, 4 de setembro de 1974


