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WD FHCBrasil - GGN - Lendo importante livro do historiador Leonardo Brito, a respeito do jornalismo brasileiro com linha editorial nacionalista (1), me deparei com uma instigante informação.


Foto: FHC. Por Wilson Dias/Agência Brasil.

O autor faz referência a um periódico que circulou de 1949 a 1957, chamado “Emancipação” e que guardava relações com o Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN) e com a Liga da Emancipação Nacional (LEN).

Ambos os organismos coletivos preconizavam bandeiras sintonizadas com o nacionalismo econômico e com o anti-imperialismo. Basicamente defendiam o controle nacional e estatal das riquezas naturais e do processo de industrialização do país.

O jornal “Emancipação”, de acordo com Brito, teve como um dos editores o general Felicíssimo Cardoso, tio do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Fazendo um rápido levantamento em dois jornais dos anos 1950 – o getulista “Última Hora” e o comunista “Imprensa Popular” –, não é difícil observar o destaque alcançado pelo tio de FHC, na defesa dos interesses nacionais.

Presidente do CEDPEN e conselheiro da LEN, Felicíssimo constantemente questionava os “trustes” e os “interesses estranhos”, que “querem deixar o país em situação degradante de semicolônia fornecedora de matérias-primas” (“Imprensa Popular”, 07/03/1951, p.1).

Recebia ainda telegramas de entidades de trabalhadores, que lhe congratulavam pela defesa dos interesses nacionais. O general esposava a tese – consoante a um ingrediente democrático participativo – de que os “problemas do país devem ser debatidos pelo povo”, pois, “em última análise, os problemas do país” são seus.

O pai de FHC, o também general do Exército Leônidas Cardoso, por sua vez, não deixava por menos. Ativista do CEDPEN, diretamente envolvido na campanha popular “O Petróleo é nosso!”, foi perseguido pelo Conselho de Segurança Nacional, em 1953, sob a alegação de envolvimento com “atividades comunistas, subversivas” (“Última Hora”, 26/5/1953, p.3).

Leônidas chegou a ter o seu nome ventilado como eventual candidato do então Partido Comunista do Brasil (PCB) – o partido mudou de nome em 1960, rebatizado como Partido Comunista Brasileiro –, para o governo do estado de São Paulo, em 1954.

Elegeu-se, por São Paulo, deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro, de Jango, Pasqualini e Brizola, em 1954. Sempre nas fileiras nacionalistas, populares e anti-imperialistas.

Entre outros, junto com o irmão Felicíssimo e o trabalhista e deputado federal carioca Sérgio Magalhães – figura de proa na defesa da lei de limitação das remessas de lucros, regulamentada por Jango em 1964 – destacou-se na defesa da legalidade, contra a movimentação golpista e reacionária, que pretendia rasgar a Constituição e impedir a posse de Juscelino na Presidência, em 1956.

Leônidas e Felicíssimo foram nacionalistas, anti-imperialistas, democratas e legalistas. Na contramão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso manteve um governo entreguista, nada cioso com os interesses nacionais. Disso todos sabem.

Contudo, o que FHC revelou nesse turbulento ano de 2015 foi uma novidade em seu currículo, demonstrando inúmeras atitudes favoráveis a ações golpistas. Flertou com o que de pior e mais reacionário a sociedade brasileira pode exibir.

FHC definitivamente desprezou o legado familiar, abraçando todo-pimpão causas e comportamentos que seu pai e seu tio abominavam. Só Freud para explicar.

Nota:

(1) Leonardo Brito. “A imprensa nacionalista no Brasil: o periódico O Semanário (1956-1964)”. Paco Editorial: Jundiaí-SP, 2010.

Roberto Bitencourt da Silva  é historiador e cientista político.


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