Manifestação em São Paulo contra o golpe. Foto: Diário Causa Operária Online
Atos em todo o país superaram de longe os atos da direita golpista e fascista realizados no domingo anterior. Em S. Paulo, particularmente, centro da luta política no País, o ato convocado pela Frente Brasil Popular conseguiu reunir um número até então inédito de pessoas, algo entre 70 e 100 mil pessoas (é preciso assinalar que não fazemos parte dos que transformam qualquer ato de 20 mil pessoas em milhões de participantes). Os manipuladores habituais falaram em mais de 50 mil pessoas, o que corrobora a nossa avaliação inicial.
Havíamos assinalado que a abertura formal da iniciativa golpista, com a aceitação do pedido deimpeachment pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, oferecia ao movimento anti-golpe a oportunidade de tomar a iniciativa das mãos dos golpistas impulsionando um salto de qualidade na luta contra o golpe, ampliando a sua abrangência e aprofundando a sua consciência e espírito de luta. O fracasso dos atos golpistas acentuou ainda mais esta possibilidade.
A resposta do movimento contra o golpe neste ato de quarta-feira, principalmente em S. Paulo, foi contundente e atendeu plenamente às melhores expectativas. Não foi apenas o número, extraordinariamente significativo, do crescimento da luta contra o golpe, mas também a disposição militante dos participantes. Esta foi, acima de qualquer dúvida, uma verdadeira declaração de guerra de amplos setores contra o golpe de Estado.
Não há nenhuma coincidência no simultâneo aprofundamento da crise com Eduardo Cunha. O problema chave do golpe está na possibilidade de uma gigantesca e dura reação popular a ele. Os golpistas necessitam de toda a dissimulação que puderem conseguir. Interpretam, corretamente, que a rejeição de Cunha, com as suas leis antidemocráticas, e a mobilização contra elas, colocam em xeque oimpeachment diante de grande parte da população mais esclarecida, agravada com as denúncias de corrupção que já são em si mesmas um outro sintoma desta rejeição.
Esta crise foi, também, precedida pela importantíssima derrota do governador Geraldo Alckmin diante do movimento de ocupação das escolas. Os governos de direita e o movimento golpista têm sido brecados pela mobilização popular que está claramente inscrita na luta contra a direita, sua política geral de ataque ao povo e o golpe.
Mais que nunca é o momento de aproveitar o impulso obtido e dar continuidade à mobilização das opiniões e das forças. O movimento contra o golpe não deve dar nenhuma trégua natalina, festiva, de verão ou carnavalesca aos golpistas. É preciso discutir já um calendário de lutas para todo o próximo período.
A derrota do golpe nas ruas vai debilitar a política da direita em todos os sentidos e abrir caminho para uma etapa de grandes lutas e conquistas.
Rui Costa Pimenta é presidente nacional do Partido da Causa Operária e editor-chefe do Jornal Causa Operária.

