Foto de Cirdes Lopes/Diário Liberdade - Manifestações de junho de 2013 no Brasil.
A iniciativa causou um choque conjetural na estrutura governista, abalando o status quo de quem gere a máquina política, forçando-os a repensar momentaneamente no fluxo de suas ações e o peso das consequências. Porém, o susto foi passageiro, o brado inefetivo, e o frenesi sazonal, visivelmente apenas ameaçaram abalar as estruturas políticas do país.
Nesse ínterim, pode-se pensar: "por onde andavam os partidos de esquerda, a massa intelectualizada pela vertente marxista?"; em grande maioria, na observação participativa, esperando brechas para o despejar miraculoso dos dogmas panfletários e partidários.
Se analisarmos mais criticamente, veremos o esvaziamento ideológico desses próprios partidos, fadando suas militâncias em meras corregedorias itinerantes de recrutamento e massificação (ainda assim, mal executados). Todo o cunho e ideal transformador, revolucionário e pedagógico da militância de esquerda deu lugar para a panfletagem factoide e disseminadora de intelectualismos pré-moldados, discursos vazios de objetividade e ideal utópico, executando assim as mesmas estratégias de alguns tablóides direitistas: a Alienação!
Dispõe-se hoje de fácil acesso às redes sociais, veículos de informação quase instantâneos, sendo possível qualquer um, praticamente, atualizar-se em tempo real dos acontecimentos e teoremas alquímicos das verdades infindas e irrefutáveis; muitos inclusive, aproveitando a deixa das redes sociais, formaram-se de imediato em doutores em Ciência Política. Porém, tamanho fluxo informativo gera um gigantesco contingente de intelectualoides, repetidores de absurdos pré-programados.
Nesse vácuo encefálico de regurgitações pseudo-revolucionárias, encontramos também a presença dos novos modelos propagandistas veiculados sob a forma pós -moderna dos "hashtags" ("#"). Tais movimentos virtuais inorgânicos organizados via redes sociais, possuem um caráter muito precário de força política, demonstrando um ímpeto inicial consideravelmente mensurável, mas tal suposta “força” não tende a durar muito e se solidificar enquanto movimento político ou social de fato. Hipóteses possíveis: 1) justamente por terem um vinculo virtual, não conseguem se estruturar fora do mesmo, à exceção de possíveis encontros presenciais para estudos de pauta e/ou manifestações de rua, exemplificando uma situação reversa ao que sugere Maria da Glória Gohn, que os movimentos sociais que perduram ao longo do tempo de exercício tendem a se solidificar em suas raízes e estruturas políticas, podendo gerar assim perda de vigor ou enfraquecimento do mesmo; e 2) ainda devido a sua virtualidade, constituem-se em sua maioria por sentimentos sazonais, passageiros, superficiais e seletivos, fragmentadores e fragmentados, de indignação enquanto pautas de reivindicação para mudanças, defesas de situações ou ações, bem como o próprio exercício de manifestação em si, ou seja a transposição do virtual para o real torna-se inviável e ineficiente.
A tomada das ruas, as reivindicações populares, o exercício democrático da crítica às gestões políticas não pode, nem nunca deveria, ser negligenciado pelas ideologias de esquerda, uma vez que são eles o único escape de mudança literal dos rumos sócio-políticos, a única válvula de transformação utópica que resiste aos avanços da predação capitalistas e seus algozes institucionalizados, e por vezes canonizados, pelas engrenagens políticas.
Aos partidos e vertentes verdadeiramente intelectuais de esquerda, clamamos agora um revolucionar atitudinal de suas práticas e organizações frente às massas. De mecanismos alienantes, já nos basta os da direita.
Pois que combatamos tal incêndio com mais combustível, mas que ecloda uma guerra ideológica, possivelmente evoluindo para as vias de fato, pelos espólios políticos e sociais da sociedade e nação brasileira, posto que mediante tamanhas usurpações, achaques, assaltos à dignidade, cidadania e história político-social do Brasil, restarão apenas meros espólios e ruínas, migalhas diante do potencial continental que nosso território oferece.
Enquanto sociedade, somos reféns de nossos representantes eleitos. Transformaram-nos em gado pastoril, domesticado, adestrado, ritmado, controlado, obediente, vacinado, alienado. Perdemos até mesmo a autonomia de nossa indignação e revolta, até as manifestações e pautas reivindicatórias são monitoradas e filtradas, manipuladas! Tornamos-nos zumbis introspectivos, expectadores da exceção política, da austeridade arbitraria do gérmen totalitarista das entranhas mais pútridas do Capital.
O despertar não virá montado em um cavalo alado enviado pelos deuses da revolução. Imperioso faz-se contra-atacar as investidas do capital predador, retalhando suas ações, buscando a aniquilação do “mal pela raiz”. Do contrario, continuaremos nessa retroalimentação estafante, corrosiva, autoimune, crônica, invasiva, agressiva, predatória, que nos é imposta e comumente aceita rotineiramente, gastando tem

