Foto: Ministro da economia e presidente do Brasil.
Mais do que os números, o que impressiona é o quadro tendencial. Na última sondagem, no início de fevereiro, esse indicador estava em 44% e nada indica que parará de subir.
Dilma perde apoio entre os pobres e entre seu eleitorado tradicional, de maneira vertiginosa. É uma presidente enfraquecida, desmoralizada e sem credibilidade por ter prometido uma coisa em campanha e praticado o oposto ao assumir o segundo mandato.
Atacada por todos os lados, da direita à esquerda, a mandatária tenta produzir factóides, como a Lei Anticorrupção e planeja campanhas de marketing.
Mas há um fator na gestão petista poupado pela direita e por seus porta-vozes na mídia. É sua política econômica de rígido ajuste fiscal e arrocho nas contas públicas, que está nos levando a um mergulho recessivo de proporções incalculáveis.
Não é outro o sentido do editorial principal de O Globo, desta quarta-feira, intitulado "Dilma olha para a frente ao apoiar o ajuste na economia:
"A reconhecida competência e a credibilidade do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e de sua equipe não eram vistas pelos mercados como suficientes para assegurar a execução do ajuste, pois a presidente Dilma não parecia completamente convencida da necessidade dessa mudança. No entanto, agora a presidente vem a público defender com ênfase a política da sua nova equipe econômica, reconhecendo que o país não reagiu ao que anteriormente fora posto em prática".
Atenção: O Globo é o jornal da mesma emissora que se lambuzou ao convocar os protestos conservadores do final de semana.
O texto é revelador: o ajuste tornou-se o real fiador do mandato presidencial. Esqueçam as políticas sociais, a "pátria educadora" e políticas setoriais aqui e ali. A obsessão oficial é o ajuste.
Se Dilma mudar sua política econômica, perderá sua base de sustentação no mercado financeiro.
É este setor que considera seu governo ótimo e bom. (Com uma taxa de juros de 12,75% ao ano, até eu).
O ajuste deixou de ser uma opção para o governo. É sua própria razão de existir. Se o ajuste acabar, o governo cai. Por isso, é remotíssima a possibilidade de Joaquim Levy ser demitido. Não é à toa que a bancada petista o aplaudiu de pé, em encontro na segunda (16). Nem o PMDB chegou a tanto.
O arrocho, os cortes, os contingenciamentos, o brutal superávit e toda a catilinária do neoliberalismo heavy metal – que Dilma acusou Aécio Neves de implantar – vieram para ficar.
Não é Dilma quem nos governa. É o ajuste.
Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC/São Paulo.
Fonte: página no facebook.


