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DSCN03741Galiza - Diário Liberdade - Família Pereira, da jet set corunhesa, é a que pede o despejo da mulher. Aurélia denunciou agressons e acoso.


Polo terceiro dia, dúzias de pessoas estám em guarda no edifício em que mora Aurélia Rei, a mulher de 85 anos que pode ser despejada da que tem sido a sua vivenda por 34 anos. Hoje a assistência de pessoas diminuiu sensívelmente, e promotores/as chamam a nom baixar a guarda, dado que "nom há confirmaçom de que o despejo nom se vaia executar".

Nom há novidade desde que se iniciárom as negociaçons entre o advogado da família Pereira (umha de cujos membros é proprietária do imóvel) e o advogado de Aurélia. A Junta da Galiza e os serviços sociais da Cámara Municipal da Corunha também estám a participar no diálogo, embora propondo 'soluçons' absolutamente inverosímeis por enquanto.

Entrentanto, os e as manifestantes desconfiam que as diferentes instituiçons do regime e a família Pereira só queiram deixar o tempo passar para que diminua a anteçom ao caso e, aí sim, proceder ao despejo pola força. Por isso, continua neste momento a vigiláncia de 24h no edifício. Ao longo da manhá de hoje nom houvo presência policial 'visível', mas sim a alegada apariçom do que poderiam ser membros das brigadas secretas do corpo repressivo espanhol.

A família Pereira, da burguesia corunhesa, basea o despejo em que Aurélia demorou no pagamento de dous meses de aluguer. A verdadeira razom, porém, poderá ser que a mulher paga apenas 165€ (cobra 400 de pensom) por um contrato de renda antiga.

Às 18h00 desta tarde, haverá umha palestra sobre os despejos hipotecários e sobre o caso de Aurélia em concreto, que se realizará na rua, às portas do edifício, na Rua Padre Feijó, 9. Ainda, às 20h00 nesse mesmo local, haverá umha assembleia para organizar o protesto que a 23F percorrerá as ruas da Corunha, igual que noutras cidades. Da plataforma contra os despejos da Corunha chamam a continuar com a solidariedade, temendo que as negociaçons podam ver-se paradas se a pressom nas ruas diminuir.

Proprietária do apartamento pertence à família Pereira, da 'jet set' corunhesa

De todo este caso, há um dado que nengum meio comercial está a dar: o nome ou apelido da propriedade do apartamento, quem está a pressionar para expulsar Aurélia da sua vivenda.

DSCN0379Esse silêncio é fácil de perceber quando se sabe que falamos da família Pereira, pertencente à 'jet set' corunhesa e com bons contatos tanto na Cámara Municipal quanto nas instituiçons judiciais. A família Pereira é dona de todo o edifício em que Aurélia mora, mas nem só: possui numerosos locais comerciais nas redondezas da Praça de Lugo e foi umha família tradicionalmente social e economicamente bem posicionada na cidade. Entre os negócios que regentou a família figura o Playa Club.

Nonito Pereira, irmao da proprietária do imóvel, mantém estreitos laços com o Grupo Voz, tendo mantido intensas colaboraçons com La Voz de Galicia e Radio Voz, além de El Ideal Gallego. Precisamente, ontem La Voz de Galicia publicava um artigo no que deturpava as informaçons sobre o caso da Aurélia com um manchete que convertia a vítima em carrasco, ao acusá-la de rejeitar dous pisos oferecidos pola Junta -La Voz nom lembra no seu manchete que estám a quilómentros de onde a idosa leva a morar quase quarenta anos.

Aurélia denunciou acosso e agressons

Por volta das 10h00 da manhá de hoje, Aurélia Rei falou às pessoas e meios à porta do seu edifício. Aurélia denunciou que 'eu nom devo nada' e que nom é a primeira vez que @s Pereira tentam expulsá-la do seu lar. Há anos, segundo a mulher, chegou a ser agredida para ter que abandonar o apartamento e foi atacada com dispositivos incendiários: "eu podo dizer com certeza quem foi, mas suspeito" -dijo Aurélia. Contodo, Aurélia está com forças, segundo explicavam ontem algumhas das pessoas que mantenhem contato direto com ela, ao ver-se com tanto apoio.

DSCN0382Querem enviar Aurélia à periferia

Fai 34 anos que Aurélia Rei vive no apartamento do que a família Pereira quer expulsá-la. Ao longo do dia de ontem, a pressom popular sustentada durante dias conseguiu forçar umha proposta alternativa à residência de idos@s à que a Cámara Municipal queria enviar a mulher.

Contodo, a proposta é muito insatisfatória para a mulher. Assim, propom-se-lhe como possibilidade umha vivenda de emergência social em Novo Mesóiro ou em Eiris, a 8 e 4 km, respetivamente, do bairro em que Aurélia leva a morar quase 40 anos. "Com essa idade um deslocamento é absolutamente desaconselhável" explicava ontem o advogado da mulher ameaçada pola família Pereira.

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Fotos do Diário Liberdade

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[19/02, às 16:00] Propriedade negocia com Aurélia, mas ameaça de despejo e pressom social continua

DSCN0358Manifestantes consideram que pode haver tentativa de desmobilizaçom por parte da Junta, a Cámara, a propriedade e as entidades judiciais e policiais. Forte pressom social tem obrigado a negociaçom que há dias rejeitavam. Diário Liberdade acompanhou ao vivo o caso ao longo da manhá. Amanhá de manhá voltamos com o acompanhamento minuto a minuto.

Após conseguir deter ontem o despejo de umha mulher de 85 anos, Aurélia Rei, da que tem sido a sua moradia nos últimos 34 anos, hoje centenas de corunheses e corunhesas demonstrárom que a decisom de deter o desalojo é firme. A propriedade do apartamento alega para a sua expulsom imediata que a mulher nom pagou 165€ correspondentes a um mês de aluguer. Aurélia, que cobra 400€ mensais de umha pensom nom contributiva, nega-o e diz que essa contia está satisfeita.

As verdadeiras razons por trás do despejo da mulher de 85 anos poderám ser diferentes. Entre elas, que Aurélia paga um aluguer muito baixo graças a um contrato de 'renda antiga', de maneira que se for expulsa @s nov@s ocupantes darám mais lucros à propriedade do apartamento.

Hoje foi o segundo dia consecutivo de mobilizaçom massiva, mas já na passada semana houvo reiteradas açons de denúncia do caso promovidas pola plataforma contra os despejos hipotecários da cidade. Assim, um grupo de pessoas passou a noite a dormir no portal do edifício em que a idosa mora, na rua Padre Feijó da Corunha. A partir das 8h00, momento em que começava o maior risco de despejo, fôrom centenas de pessoas as que defendérom Aurélia nas ruas da Corunha.

Ao longo da manhá, desde a corte de justiça assegurou-se que o despejo nom seria hoje, em razom a questons administrativas. Porém, as e os manifestantes considerárom tal afirmaçom umha simples manobra de desmobilizaçom para proceder ao despejo em ausência de resistência. Perante isso, decidírom permanecer no local, e no momento de redaçom desta matéria organizam grupos para organizar umha vigiláncia no local durante as 24 horas do dia.

DSCN0354Se nom houver novidades, amanhá aumenta novamente o risco de que forças policiais espanholas tentem levar Aurélia pola força, polo que os e as promotoras do protesto chamárom a juntar centenas de pessoas novamente desde as 8h00 da manhá.

Apesar de que no meio dia de hoje a propriedade tivo que ceder a iniciar negociaçons, o despejo continua vigente e nom há garantias de que nom vaia acontecer finalmente. Por isso, STOP Despejos Corunha chama a nom baixar a guarda e nom desmobilizar-se: "amanhá virám mais [agentes de distúrbios] e mais preparados, devemos estar atentos".

Há negociaçons, mas despejo continua vigente

Quando a plataforma contra os despejos da Corunha tomou o caso, a Cámara Municipal da Corunha queria levar Aurélia para umha residência de pessoas idosas (apesar de que a mulher é completamente autónoma, tanto física como psicologicamente). Diziam que nom havia outra opçom, nem sequer levá-la para umha vivenda de emergência social.

Milagrosamente, a postura tem mudado desde ontem (casualmente, quando apareceu o caso de Aurélia em todas as televisons) e a propriedade do apartamento, a Cámara da Corunha e a Junta da Galiza iniciárom conversas nesta manhá com Aurélia (que agora tem representaçom de um advogado).

Segundo explicou hoje o advogado de Aurélia, a 'melhor' proposta que conseguírom fazer-lhe veu da Junta, e foi umha vivenda de emergência social em Novo Mesóiro (a 8 km e mais de umha hora de viagem de autocarro da sua atual residência). Logicamente, Aurélia nom considera essa opçom como aceitável.

Em qualquer caso, nom tem havido nengumha notificaçom por escrito sobre a suspensom (nem definitiva nem temporária) do despejo, o que fai suspeitar a promotores/as dos protestos que o despejo pode acontecer em qualquer momento e que, se a pressom nas ruas diminuir, as negociaçons podem ser abortadas.

Solidariedade com bombeiros/as

Num comunicado expressou-se a solidariedade com a base do corpo de bombeiras e bombeiros da Corunha, logo após a negativa destes a romper a cadeia que fechava a passagem da polícia ao interior da casa de Aurélia. Os trabalhadores, convertidos em heróis da jornada de ontem, fôrom a seguir ameaçados polo Chefe do corpo, quem anunciou "sançons" por nom ter colaborado em despojar a idosa da sua casa. "Nom vamos deixar que haja sançons" -assegurou-se hoje no comunicado solidário com as e os bombeiros.

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[18/02, às 10:20] Corunha sai em defesa de Aurélia

DSCN0356Ontem o despejo da mulher, de 85 anos, foi barrado duas vezes. A polícia espanhola chamou o corpo de bombeiros/as para forçar o portal do edifício, mas estes negárom-se ao tempo que exibiam um cartaz da plataforma 'Stop Despejos' da Corunha.

Sem dúvida, ontem foi umha jornada das que se lembrarám com orgulho na história dos movimentos sociais na Corunha. Aurélia Rei, de 85 anos, ia ser despejada do seu lar na rua Padre Feijó dessa cidade. A razom: nom ter pago um mês do aluguer. A dívida 'ascendia' a 165€ e já tinha sido paga.

O proprietário do imóvel, contodo, pretendia executar o despejo de Aurélia, com o apoio da Cámara Municipal da Corunha, em maos do ultradireitista Partido Popular. Mas os sonhos húmidos dos especuladores terám que esperar: ontem encontrárom-se com umha oposiçom firme de corunhesas e corunheses.

O despejo estava notificado para as 10h00 da segunda-feira (18/01). Às 9h30 algumhas pessoas fechárom-se no portal do edifício e bloqueárom-no com cadeias. Às 10h00 já havia muitas dúzias de pessoas na rua berrando frases como 'Aurélia fica, Aurélia nom se vai' ou 'Nom som suicídios, som assassinatos'.

Apesar de enviar várias carrinhas com polícias de distúrbios (que nom antidistúrbios), os e as manifestantes nom cedérom. A presença de caras pertencentes a partidos políticos do jogo institucional, como Yolanda Díaz (IU) ou Jorquera (BNG), com certeza ajudou a que as autoridades do regime resolvessem nom intervir pola força ao longo da manhá, suspendendo temporariamente o desalojo de Aurélia.

Agressons policiais e bombeiros/as do lado do povo

O grupo contra o desalojo ficou, contodo, desconfiante da decisom de suspender o depejo. E era umha desconfiança fundada. Por volta das 15h00 a polícia espanhola tentava tirar Aurélia da sua vivenda. Producírom-se agressons da polícia a alguns manifestantes, sem que desta vez lhes importasse em excesso atacar mesmo a algumhas dessas caras conhecidas, com a do próprio Francisco Jorquera.

Ao mesmo tempo, umha polícia espanhola incapaz de cumprir as ordens do regime recorria aos bombeiros/as para que forçassem a entrada ao edifício, mas estes negárom-se ao tempo que exibiam um cartaz da plataforma 'Stop Despejos' da Corunha.

A operaçom contra Aurélia era assim abortada pola segunda vez no mesmo dia.

Hoje mais

Desde as 8h00 da manhá desta terça-feira (19/01), numerosas pessoas protegem Aurélia de um novo ataque.

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