Este debate, que contou com mais de 70 pessoas, decorreu na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estiveram também na mesa João Carreiras (Plataforma Artigo 74) e António Avelãs (SPGL).
Levantando o problema do abandono escolar no ensino superior por incapacidade do pagamento de propinas, João Carreiras mostrou a preocupação desta plataforma com a redução drástica da dotação no Orçamento de Estado para a Educação, que ultrapassa os 20% desde 2005 até o presente, bem como o aumento galopante em 160% do valor das propinas desde 1996.
Inicialmente Joana Campos, pela Associação de Combate à Precariedade, traçou a forte ligação entre a Universidade como fábrica de precários qualificados e a precariedade. Por um lado porque muitos saindo já endividados da Universidade e sem saída profissional na sua área são, por isso, forçados a trabalhar com relações laborais precárias para pagar dívidas anteriores. Por outro lado, porque a ciência que é feita nas próprias Universidades é quase totalmente feita por bolseiros de investigação. Estes viram nos últimos anos o seu valor da bolsa reduzir mais de 20% em relação a 2002. Os bolseiros também não têm direito aos subsídios que um contrato normal garante nem à mesma protecção pela Segurança Social. Os bolseiros vivem ainda com a corda na garganta com os constantes atrasos nas renovações das bolsas e pagamentos do Seguro Social Voluntário. Mas o Código de Trabalho é explícito e a produção de conhecimento científico devia garantir a existência de um contrato de trabalho com todos os direitos. É também por isso que a Carta Europeia do Investigador, já aprovada por unanimidade da Assembleia da República, e que defende a carreira de investigação, deve passar à prática.
Combater quem quer destruir a Escola Pública foi a proposta de António Avelãs. Apesar dos méritos da Escola Pública ao garantir o direito ao acesso universal ao ensino, Portugal está ainda muito atrás da média europeia relativamente ao acesso ao ensino secundário (52% contra 81,9%) e superior (24, 8% contra 37,1%). António Avelãs desmontou o argumento de que o ensino devia ser pago por quem tivesse dinheiro, porque a justiça deve ser feita pela progressividade dos impostos aos rendimentos e porque isso alimenta a ideia de que deve existir uma educação privada para as elites e uma pública, de menor qualidade, para formar os precários da próxima geração ou para impedir o acesso total a quem quer estudar.
Esta conversa contou com várias opiniões diferentes mas sempre com muita vontade e energia de unir esforços pela Defesa do Ensino Superior de qualidade e gratuito para todas as pessoas que estudam. Os Precários Inflexíveis demonstraram mais uma vez toda a sua solidariedade com este movimento pela defesa do Ensino Superior e Ciência.