A revelação para nós mais surpreendente deste livro é que afinal Carlos Brito poucas ou nenhumas divergências teve com Álvaro Cunhal. Podemos até concluir que Cunhal, bem conversado, poderia figurar, se fosse vivo, entre os dirigentes renovadores da actualidade, tal foi a justeza, perspicácia, acerto e genialidade da sua actividade como dirigente comunista.
Carlos Brito integrou a direcção política do PCP desde 1967 até 2002, data em que cindiu e co-fundou o Movimento Renovação Comunista, insatisfeito com a rigidez dos dirigentes "conservadores", a falta de democracia interna, e a inflexibilidade em relação às alianças tácticas à sua direita, mais concretamente com o PS. Cunhal acusou-o de querer socialdemocratizar o partido, mas ele nega.
Neste livro Carlos Brito faz um relato pormenorizado do trajecto partidário de Cunhal e de si próprio, quase sempre em sintonia mútua. Recorre a profusas referências às diferentes etapas ideológicas e políticas por que passou a política do PC sob responsabilidade do dirigente máximo e revela sem complexos todos os seus preconceitos em relação ao papel dos "esquerdistas" na crise revolucionária.


