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160211_rascaPortugal - Diário Liberdade - A geração 'à rasca', a dos e das jovens com alta formação, com estudos, mas que se vem diretamente deitados no desemprego ao acabarem o seu período acadêmico, contesta. O protesto será a 12 de março na Avenida da Liberdade, em Lisboa, pelas 15:00 h.


Ontem soubemos que segundo a OCDE, a taxa de desemprego em Portugal sofreu um agravamento de 1,3 pontos percentuais em 2010, o que posiciona Portugal no 4o lugar mundo desenvolvido onde o desemprego mais se agravou em 2010. Pior do que Portugal só a Eslováquia (mais 2,5 pontos e 14.5% de desemprego), o Estado espanhol (mais 2,1 e 20,1% de desemprego) e a Irlanda, (mais 1,6 pontos, para 13,5% da população activa).

Também ontem, fez-se público que na última década, o número de diplomados com vínculos precários - contratos a termo, recibos verdes ou trabalho temporário, sem contar com os estágios não remunerados e os bolseiros - mais do que duplicou.

A crise terminal do sistema capitalista selvagem, que na sua morte quer levar toda a classe trabalhadora, o meio ambiente, e, enfim, todos aqueles recursos que durante décadas explorou para manter os privilégios de uma minoria; tem já conseqüências inasumíveis para a juventude, e esta mobiliza-se.

Convocatória de protestos

Através do site Protesto da Geração à Rasca, convoca-se um protesto para dia 12 de março pelas 15:00 h na Avenida da Liberdade de Lisboa. O portal convoca nos seguintes termos:

"Protesto apartidário, laico e pacífico.

- Pelo direito ao emprego!

- Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!

- Pelo direito à educação!

- Pelo reconhecimento das qualificações, competência e experiência, espelhado em salários e contratos justos!

...Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!"

Ainda, há iniciativas também para a segunda maior cidade do país:

"Um grupo de pessoas estará no Café Aviz – R. de Avis 27, 4050 Porto – na Quarta-feira dia 16 de Fevereiro, pelas 21h para iniciar a organização do Protesto no Porto! A quem quiser contribuir, e não puder comparecer em Lisboa, apareça! E dia 12 de Março, saímos à rua! Obrigado a todos e todas!"

O manifesto: "Não podemos continuar a aceitar esta situação precária"

No portal do que se convoca o protesto, disponibiliza-se um interessantíssimo manifesto. É o chamado desesperado da geração mais preparada da história de Portugal:

Nós, desempregados, "quinhentoseuristas" e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

Com informações de Protesto da Geração à Rasca


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