Também ontem, fez-se público que na última década, o número de diplomados com vínculos precários - contratos a termo, recibos verdes ou trabalho temporário, sem contar com os estágios não remunerados e os bolseiros - mais do que duplicou.
A crise terminal do sistema capitalista selvagem, que na sua morte quer levar toda a classe trabalhadora, o meio ambiente, e, enfim, todos aqueles recursos que durante décadas explorou para manter os privilégios de uma minoria; tem já conseqüências inasumíveis para a juventude, e esta mobiliza-se.
Convocatória de protestos
Através do site Protesto da Geração à Rasca, convoca-se um protesto para dia 12 de março pelas 15:00 h na Avenida da Liberdade de Lisboa. O portal convoca nos seguintes termos:
"Protesto apartidário, laico e pacífico.
- Pelo direito ao emprego!
- Pela melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!
- Pelo direito à educação!
- Pelo reconhecimento das qualificações, competência e experiência, espelhado em salários e contratos justos!
...Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!"
Ainda, há iniciativas também para a segunda maior cidade do país:
"Um grupo de pessoas estará no Café Aviz – R. de Avis 27, 4050 Porto – na Quarta-feira dia 16 de Fevereiro, pelas 21h para iniciar a organização do Protesto no Porto! A quem quiser contribuir, e não puder comparecer em Lisboa, apareça! E dia 12 de Março, saímos à rua! Obrigado a todos e todas!"
O manifesto: "Não podemos continuar a aceitar esta situação precária"
No portal do que se convoca o protesto, disponibiliza-se um interessantíssimo manifesto. É o chamado desesperado da geração mais preparada da história de Portugal:
Nós, desempregados, "quinhentoseuristas" e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.
Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.
Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.
Com informações de Protesto da Geração à Rasca


