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261111_GNRPortugal - Esculca - No dia em que o Centro Europeu para os Direitos dos Ciganos voltou a criticar Portugal por discriminação laboral e violência policial, a associação antiracista denunciou os comentários xenófobos colocados por agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana) num fórum na Internet.


Mensagens xenófobas contra ciganos num fórum dedicado à GNR estão a indignar a SOS Racismo.

"Não dá para acreditar", diz a associação SOS Racismo sobre o que leu no fórum da internet frequentado por militares da GNR. Nos comentários a uma notícia sobre a Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas, podem ler-se várias mensagens racistas e ofensivas, como a de alguém que se apresenta como cabo da GNR e defende que a integração destas comunidades deve passar por "enfia-los todos em cadeias, pois só lá é que estão no seu ambiente".  Uma enfermeira aposentada diz que "primeiro de tudo, mereciam ser castrados para não terem mais filhos" e outros militares defendem que "Integrar sim pode ser, mas na nossa vizinha e amiga Espanha ou Marrocos". Outros sugerem a barragem do Alqueva ou uma câmara de incineração, havendo mesmo um autodenominado furriel a acrescentar que “Hitler tentou integrá-los aí num sitiozinho…”.

O moderador deste fórum pediu contenção aos comentadores e reconheceu que "há aqui posts, que mais parecem oficiais do regime Nazi a escrever". Mas apesar de recordar as regras do fórum que proíbem mensagens xenófobas ou racistas, não fez nada para as retirar do fórum, onde ainda permanecem publicadas.

Na sequência da condenação do Estado português este mês pelo Comité Europeu dos Direitos Sociais, que deu como provada a queixa do Centro Europeu para os Direitos dos Ciganos (ERRC) sobre a discriminação na política habitacional para as comunidades ciganas, este organismo promoveu um encontro em Lisboa. Para a ERRC, citada pela agência Lusa, os ciganos têm merecido em Portugal “menos atenção” do que em outros países europeus, sendo “preocupante” a sua situação em termos de inclusão social e acessos aos direitos fundamentais.

A ERRC lembrou ainda que as medidas previstas no Plano Nacional para a Inclusão aprovado em 2008, ainda não foram criadas passados três anos da sua aprovação. Uma opinião convergente com a da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, que entende que as estratégias de inclusão “não têm dado grandes resultados, continuando a maioria da população de etnia cigana a viver marginalizada, excluída sem lhe serem reconhecidos os mesmos direitos de cidadania da restante população portuguesa”.

A Pastoral dos Ciganos apelou ainda ao Governo para que promova “o reconhecimento efetivo dos direitos básicos dos ciganos, como cidadãos portugueses de pleno direito, o qual deve ser concretizado obrigatoriamente a nível nacional, regional e local”.


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