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131011_policiaPortugal - Jornal Mudar de Vida - Em diversos textos publicados no Diário de Notícias, Valentina Marcelino tem-nos habituado a olhá-la como uma espécie de porta-voz das forças repressivas, trabalhando e divulgando relatórios e informações pretensamente confidenciais, quando interessa ao Serviço de Informações e às várias polícias torná-los públicos.


E voltou a ser assim agora, após a manifestação de 1 de Outubro convocada pela CGTP. Embora desta vez também tenha sido acompanhada por vários outros órgãos de comunicação do regime.

Assim, no DN de 2 de Outubro, Valentina assina um texto onde refere que a manifestação do dia anterior marcara o primeiro dia de um calendário especial criado pela PSP e pelo SIS, em que teria tido início um período de agitação social. Salienta, também, que a probabilidade de se verificarem tumultos está a ser levada muito a sério por polícias e espiões. Mais, afirma que a PSP e o SIS estão no terreno a monitorizar grupos, organizações e protagonistas de "uma agitação social, cuja dimensão deverá crescer e atingir valores que nunca foram alcançados nos últimos trinta anos". Não deixa, ainda, de assinalar que as forças policiais estariam a procurar infiltrar-se (espiões ou agentes provocadores?) em diversas organizações.

A finalizar o seu serviço, Valentina Marcelino cita operacionais de polícia e um "especialista" em Segurança Interna procurando corroborar a necessidade de preparação das forças de segurança para os tumultos que aí viriam.

Nada do que é "revelado" neste texto de Valentina nos surpreende. Nós bem sabemos que os Serviços de Informação e as várias polícias são parte do aparelho repressivo do Estado, portanto, fazem o trabalho que lhes compete e que os mandam fazer. Embora consideremos que a denúncia das suas actividades deva sempre ser feita, achamos, contudo, lamentável que ainda haja gente de esquerda a mostrar-se admirada com o relatório agora divulgado.

Por outro lado, conhecendo a origem destas informações "confidenciais", pergunta-se o que pretendem aqueles que as tornam públicas nesta altura. Pelo menos dois objectivos procuram atingir com esta divulgação: aterrorizar os trabalhadores e os militantes políticos, tentando desmobilizá-los da luta pela defesa das suas conquistas e direitos e, ao mesmo tempo, avisar o governo e o patronato de que precisam pagar bem aos seus homens de mão (os polícias), se querem ser defendidos.


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