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210710_ecoaldeiatameraPortugal - CMIP - O livro "Ecoaldeias, Novas Fronteiras para a Sustentabilidade", de Jonathan Dawson, foi lançado no passado dia 14 de Julho em Lisboa. O livro apresenta as ecoaldeias como uma forma de contrariar a globalização, mostrando "caminhos possíveis para um outro mundo".


"Ecoaldeia é um lugar onde o conhecimento é reunido, onde se pode criar um modelo válido para todas as pessoas", diz Meike Müller, que vive há nove anos na comunidade de Tamera, perto de Odemira. "Perante a violência no mundo é absolutamente urgente criarmos modelos que não gerem guerra, mas confiança mútua, estruturas sociais que possibilitem a verdade e a transparência. Precisamos de modelos para uma transição."

Perante as crises (energética, da água, etc.) do sistema actual, Meike diz que somos chamados a fazer uma "grande mudança enquanto humanidade" e que para isso precisamos de uma rede global, de tecnólogos, ecologistas, activistas pela paz, ecoaldeões, etc.

"A maior parte da vivencia da humanidade foi passada em tribos. Temos de reconquistar a capacidade de conviver, esse sentido comunitário que foi destruído. Temos de sair de um sistema de concorrência, em que 'quanto pior o outro estiver, melhor para mim', para um em que aproveitemos a maior força e beleza de cada um de nós."
Para Meike, as funções a desempenhar são tão variadas quanto a humanidade: "não precisamos de ir todos viver em eco-aldeias!" No entanto os sistemas comunitários são essenciais.

As Ecoaldeias em Portugal

Apesar de ser um conceito muito recente, com menos de 30 anos, assenta em princípios antigos. Fátima Teixeira, que também vive há quatro anos em Tamera, deu como exemplos do passado a Comuna da Luz (fundada por António Gonçalves Correia e considerada a primeira comunidade anarquista de Portugal) ou as antigas aldeias comunitárias (de que hoje sobram pouco exemplos, como Moimenta da Raia ou Rio de Onor). "Todas têm como princípio básico a partilha do bem comum". E se na altura os bens eram parcos, hoje são os recursos que se estão a esgotar, devido à sobre-exploração.

Tamera foi apresentada como a única ecoaldeia actualmente em Portugal, pelo menos com a sua dimensão. Fátima lembrou experiências recentes de comunidades/ecoaldeias que entretanto terminaram, como a Seara ou a Terramada. Hoje existem no entanto várias pequenas comunidades por todo o país, sobretudo na zona de Pombal e da Lousã, e existe uma rede nacional de ecoaldeias http://portugal.ecovillage.org/ . Outro exemplo interessante é a aldeia das Amoreiras http://centrodeconvergencia.wordpress.com , em Odemira, onde a associação ambiental GAIA tem procurado fazer renascer a vida comunitária e promover práticas sustentáveis.

Fátima contou como pessoas de outros países nos chegam a considerar "loucos": "temos em Portugal tantas aldeias abandonadas, tão valiosas, e ainda fáceis de recuperar... O que estamos a fazer nas grandes cidades?"

Jonathan Dawson, o autor deste pequeno livro, é educador, consultor e gestor de projectos de sustentabilidade, residente na ecoaldeia de Findhorn, e foi presidente da Global Ecovillage Network http://gen.ecovillage.org/ . O editor, José Carlos Marques, lembrou que este é um livro único em língua portuguesa, apesar de existir já muita literatura sobre ecoaldeias em inglês ou alemão. O livro (que foi também lançado no Porto, no dia 15, na Casa da Horta) deverá chegar até algumas livrarias, e pode ser encomendado através do site das Edições Sempre Em Pé www.sempreempe.pt.

Mais informações

Rede Portuguesa de Eco-aldeias e Comunidades Sustentáveis.
Rede Permacultura Portugal.
Edições Sempre Em Pé.


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