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DSC 9149-9Portugal - Diário Liberdade - [Fotos de Luis Nunes]Uma moção de censura foi lida em Lisboa. Em mais uma memorável jornada de manifestações centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas portuguesas contra a austeridade e as agressões do governo neoliberal e troikista de Passos Coelho.


A plataforma convocante do protesto desde 2 de março diz que foram um milhão e meio as pessoas participantes sob a legenda 'Que Se Lixe a Troika, o Povo é quem mais ordena'. Com essa esmagadora legitimidade, a manifestação lisboeta leu uma moção de censura contra o governo de Coelho, demitindo à equipa do Primeiro Ministro neoliberal. Em Lisboa, cidade da que oferecemos uma galeria autoria do fotógrafo Luis Nunes, confluiram no protesto 'Que Se Lixe a Troika' diferentes 'marés', que juntaram por sua vez milhares, como por exemplo a maré da educação ou a das reformadas e reformados.

No Porto a manifestação também teve dimensões massivas, com até 400.000 pessoas nas ruas, segundo algumas fontes, e mais de 40 cidades portuguesas acolhiam simultaneamente o protesto, de forma que é fácil imaginar a imensa adesão que a mobilização teve entre as classes trabalhadoras portuguesas.

'Grândola, vila morena' foi mais uma vez o hino das e dos manifestantes.

Galeria de fotos

A seguir, oferecemos uma galeria de fotos elaborada por Luis Nunes, colaborador habitual do Diário Liberdade, no protesto decorrido na capital portuguesa.

Moção de censura contra o governo de Passos Coelho

A seguir, reproduzimos a moção de censura lida em Lisboa:

"Esta Moção de Censura Popular expressa a vontade de um povo que quer tomar o presente e o futuro nas suas mãos. Em democracia, o povo é quem mais ordena.

Os diferentes governos da troika não nos representam. Este governo não nos representa.

Este governo é ilegítimo. Foi eleito com base em promessas que não cumpriu. Prometeu que não subiria os impostos, mas aumentou-os até níveis insuportáveis. Garantiu que não extorquiria as pensões nem cortaria os subsídios de quem trabalha, mas não há dia em que não roube mais dinheiro aos trabalhadores e reformados. Jurou que não despediria funcionários públicos nem aumentaria o desemprego, mas a cada hora que passa há mais gente sem trabalho.

Esta Moção de Censura é a expressão do isolamento do governo. Pode cozinhar leis e cortes com a banca e a sua maioria parlamentar. O Presidente da República até pode aprovar tudo, mesmo o que subverte a Constituição que jurou fazer cumprir. Mas este governo já não tem legitimidade. Tem contra si a população, que exige, como ponto de partida, a demissão do governo, o fim da austeridade e do domínio da troika sobre o povo, que é soberano.

Que o povo tome a palavra! Porque o governo não pode e não consegue demitir o povo, mas o povo pode e consegue demitir o governo. Não há governo que sobreviva à oposição da população.

Esta Moção de Censura Popular é o grito de um povo que exige participar. É a afirmação pública de uma crescente vontade do povo para tomar nas suas mãos a condução do país, derrubando um poder corrupto que se arrasta ao longo de vários governos.

No dia 2 de Março, por todo o país e em diversas cidades pelo mundo fora, sob o lema "Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena", o povo manifestou uma clara vontade de ruptura com as políticas impostas pela troika e levadas a cabo por este governo.

Basta! Obviamente, estão demitidos. Que o povo ordene!"

Fotografias de Luis Nunes.


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