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020512 precariadosemmedoPortugal - Diário Liberdade - Vários milhares de pessoas saíram na tarde do 1º de maio às ruas de Lisboa para lutar contra as agressões à classe trabalhadora.


Todo o material gráfico deste artigo é da autoria do Diário Liberdade, e é de livre reprodução de preferência citando fonte.

Foi em duas manifestações separadas, uma convocada pela UGT e outros coletivos, e a outra com o apoio de CGTP-IN, MAS (antiga Ruptura/FER), MayDay, Precári@s, Coletivo sem Emprego, coletivos de pessoas migrantes, Plataforma 15-O, Feministas... entre muitos outros.

Foi a segunda destas convocatórias a que conseguiu juntar mais assistentes. Vários milhares de manifestantes partiram cerca das 15:30 –a convocatória era para uma hora antes- de Martim Moniz, em direção para a Alameda lisboeta.

À cabeça, as e os dirigentes da CGTP-IN, com o secretário-geral Arménio Carlos, portavam uma faixa na que apelavam a "uma mudança de política". Palavras de ordem como "o desemprego em Portugal é a vergonha nacional", "o custo de vida aumenta, a gente não aguenta" alternaram-se com consignas de apoio ao sindicato.

A grande afluência fez com que o bloco com presença de MayDay, Precári@s, MAS, Feministas, Desempregad@s, Migrantes 15-O, etc. ... só pudesse partir de Martim Moniz bastantes minutos depois de tê-lo feito a cabeça da manifestação. Este segundo grupo de organizações definiram-se nos seus gritos como "anticapitalistas" e cantaram contra o desemprego, contra a desigualdade machista, contra o FMI e contra o grande capital.

Apesar da existência visualmente definida de dois blocos, houve simpatizantes da CGTP-IN que se juntaram ao bloco 'alternativo', principalmente junto das pessoas migrantes, sem haver fricções de qualquer classe entre os ditos dois blocos ao longo do protesto.

Todo o comprimento da Avenida entre Martim Moniz e a Alameda estava ocupado desde antes da passagem da manifestação por milhares de pessoas que a esperavam, de maneira que a massa foi crescendo muito importantemente até chegar ao seu destino final.

020512 precariadosemmedo3Mais razões para lutar

As razões para lutar neste 1 de maio foram mais que nos anos precedentes. E isso ficou patente nas ruas: a Troika, Passos Coelho, os direitos das pessoas Migrantes, cortes na cultura, agressões ao SNS, ao ensino público, aos transportes, a eliminação de freguesias, roubo de subsídios e feriados, privatizações de serviços públicos, recibos verdes, desemprego –em especial o juvenil-, discriminação da mulher, subsistência das e dos reformados... tiveram todos protagonismo na tarde de ontem em Lisboa.

A luta de ontem trouxe à tona mostras concretas do lado mais selvagem do capitalismo, que agora começa a se mostrar em Portugal e na Europa inteira, quando entra na sua fase crepuscular.

Migrantes e mulheres: uma problemática agravada

Numerosas pessoas migrantes participaram também no protesto para fazer visível os problemas acrescentados que o capitalismo lhes coloca. Num bloco muito numeroso e decidido, com pessoas de multidão de procedências, reclamaram plena igualdade de direitos, o final da perseguição racista –concretamente das prisões arbitrárias- e posicionaram-se "contra a escravatura".

Junto com as e os migrantes, as mulheres estão a ser também assistentes "privilegiadas" dos devastadores efeitos de um sistema que quer tombar tudo na sua queda. Assim, feministas tiveram um papel concreto na manifestação de ontem, exigindo a igualdade e reivindicando a vigência "da luta feminista".

Polícia ao serviço do Pingo Doce

Já desde o começo do protesto, pôde-se ver de qual bloco a polícia gostou mais. Como não podia ser de outra maneira, este foi o 'alternativo' (MAS, MayDay, Precári@s, 15-O, Migrantes, Sem Emprego, Feministas...). Assim, enquanto na primeira parte da manifestação, com presença maioritária da CGTP-IN e organizações afins, apenas sim se deixava sentir a presença de polícias, a outra era acompanhada permanente e vigilantemente por um grupo de cerca de 10 fardados de luvas postas e cacetes ao cinto, e com várias carrinhas da PSP a fechar a comitiva.

O Pingo Doce foi zelosamente protegido com recursos públicos: vários agentes policiais, em posse e aspecto ameaçador, protegeram um estabelecimento dessa rede que se encontrava no percurso da manifestação e que foi apupado.

Esta empresa, reconhecidamente beligerante com os direitos laborais, cuspiu na face da classe trabalhadora ontem, não apenas abrindo as suas portas, mas ainda lançando uma gigantesca promoção especial coincidindo com a jornada de luta, e numa conjuntura em que muitas e muitos portugueses se vêm no desespero de depender dessa classe de "regalias" para poderem subsistir.

O local permaneceu de portas fechadas ao passo da manifestação, e foi castigado antes da chegada da PSP com grafites comemorativos do 1º de maio.

020512 precariadosemmedo2... e a média também

Os jornais comerciais portugueses abrem suas edições online, neste momento, com notícias sobre os descontos do Pingo Doce, que compartilham protagonismo com as massivas manifestações de ontem por todo o país, em razão de problemas, agressões e toda classe de fatos relacionados com o 'jogo sujo' da rede de supermercados neste Dia do Internacionalismo Proletário.

CGTP-IN pediu mudanças estruturais

No ato final na Alameda, Arménio Carlos desenvolveu um prolongado depoimento que a organização sindical descreveu como "inflamado". Diante de vários milhares, o presidente da CGTP-IN acusou a França e a Alemanha de "destruírem o tecido produtivo" português, e exigiu uma mudança estrutural. Acusou o governo do ultradireitista Passos Coelho de enganar a classe trabalhadora ao adiar sucessivamente medidas como a devolução dos subsídios roubados. Arménio Carlos afirmou que "o que eles querem é que trabalhemos todos os dias" sem qualquer classe de folga ou feriado, mas que "nós não vamos permitir". Questionou, ainda, porque é que Portugal não rejeita o pagamento da dívida, quando do governo se admite que é uma medida necessária.

Outros pontos de Portugal

Embora o Diário Liberdade só pôde estar presente no protesto lisboeta, houve protestos em muitos outros pontos do país.

No Porto, e apesar da chuva que em Lisboa estava ausente, juntaram-se também milhares na Avenida dos Aliados, convocados pela CGTP-IN. A luta pela Es.Col.A também esteve presente, com manifestantes "a meditar" na Cámara Municipal, segundo informações do Centro de Média Independente.

Em Setúbal, o 1º de maio anticapitalista, que diz ter juntado 200 pessoas, denunciou provocações de membros do partido fascista PNR, que terminaram com lançamento de pedras a estes elementos. Já antes do começo da marcha, cerca das 14:00 h., manifestantes denunciaram estar a ser vigilados "por polícia ou názis" à paisana. Nesta cidade também se manifestou a CGTP-IN.

A ingenuidade da UGT

A UGT também convocou ontem um suposto protesto, embora a instituição se limitasse a encenar um pedido de caridade ao governo e o capital, apelando a respeitar as regras da exploração, conforme elas estavam estabelecidas antes do começo da crise sistémica.

Sem sairmo-nos dos parâmetros da correção, isso é, sem querer suspeitar coisas piores, podemos classificar de ingénuo o depoimento que João de Deus, presidente da UGT, proferiu no final do ato: "Neste dia, a UGT exige que o Governo cumpra a palavra dada e o acordo assinado. A UGT exige mais eficácia e rapidez de todo o Governo na implementação do acordo [tripartido de concertação social]".

João de Deus, cuja organização não quis participar na última greve geral a 21 de março, ainda não recebeu suficientes mostras de que o governo ultraliberal português não tem nenhuma intenção de cumprir nenhuma promessa, acordo ou mandado, fora do da Troika/Capital, e que as concessões feitas no dito acordo só serviram para favorecer os patrões e escurecer o futuro dos e das trabalhadoras portuguesas.

A UGT ainda não informou se para o ano que vem repetirá, coincidindo com a data, a original peça teatral.

Galeria de fotos da manifestação CGTP-IN

O Diário Liberdade elaborou a seguinte galeria fotográfica sobre este 1º de maio:

Fotos do Diário Liberdade, de livre reprodução de preferência citando fonte.




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