Não é só com o desemprego, menores salários e maior exploração (seja no mercado de trabalho ou doméstico) que a crise pesa mais para as mulheres. A violência contra elas também está aumentando e pode ser consequência da crise econômica.
Estudo realizado em Portugal relaciona o aumento da violência doméstica com a crise. A instabilidade econômica, dívidas, ameaça de desemprego, perda de direitos etc. pressionam as relações familiares e potencializam situações que representavam de risco para as mulheres.
Segundo os pesquisadores, desde 2009 o registro de denúncias diminuiu, mas o número de mortes aumentou. A falta de investimento em programas de apoio, e o aumento do desemprego acentuaram a vulnerabilidade e insegurança das mulheres.
“Muitas pessoas dizem que em situações anteriores [quando foram vítimas de violência] apresentaram queixa, mas que isso não lhes trouxe qualquer garantia”. Estima-se que atualmente apenas 10% a 15% das vítimas de violência recorram ao apoio.
“A crise apresenta dois fatores de agravamento do fenómeno da violência doméstica: por um lado, o agravamento da severidade dos atos, das agressões, e o aumento da frequência. Por outro, a falta de esperança das vítimas nesta situação. As vítimas não acreditam que possam reconstruir as suas vidas”, Maria José Magalhães, presidente da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta).
Em Portugal até o índice de divórcios diminuiu. Segundo o estudo, muitas vezes os cônjuges deixam de viver como casal, mas continuam vivendo na mesma casa por falta de condições para a efetiva separação. Em todas essas situações, se existir um histórico de violência ela “pode resultar em morte”.
A dependência econômica e falta de apoio gera o silêncio.
Os planos de austeridade são em grande medida responsáveis por essa situação. Os cortes orçamentários atingem especialmente as políticas de apoio aos setores mais oprimidos e necessitados. Sempre é a população mais pobre a mais prejudicada.
Marinho e Pinto, representante da Ordem dos Advogados de Portugal, afirmou no Congresso que "O período de austeridade que vivemos, a crise que vivemos, é propícia ao aumento desta forma de violência e é preciso que isso seja previsto para poder ser provido, porque casa onde não há pão, mais cedo ou mais tarde há condições para a violência".
Segundo o levantamento da UMAR o período de crise aumentou também a desconfiança na ação das autoridades públicas, incluindo a polícia e a justiça.