É já esta quinta-feira, dia 19 de Abril, às 21h, na Galeria Zé dos Bois – ZDB, em Lisboa, que terá lugar o debate/conversa promovido pela Rede 8 de Março em torno do polémico projeto de constituição de uma Safe House [Casa Segura] na Mouraria. Ver evento no facebook.
Na nota enviada à imprensa, a Rede anuncia que quer dar a conhecer e promover o debate sobre este novo projeto na cidade de Lisboa, e que para isso conta com a participação de João Menezes (Coordenador do Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária da Mouraria, da Câmara Municipal de Lisboa), Daniel Simões (GAT - Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA), Sónia Ricardo e Ingride Alvaredo (representantes da obra Social das Irmãs Oblatas).
A Rede 8 de Março, que junta diversas associações como a UMAR, Panteras Rosas, Precári@s Inflexíveis, SOS Racismo, Comunidária e Clube Safo, promove o debate sobre o projeto da Safe House "para que seja conhecido e discutido pelas cidadãs e cidadãos, junto das pessoas que o propõem e que decidem sobre a sua aplicação na cidade de Lisboa".
A proposta de constituição de uma Safe House para mulheres prostitutas provém da Obra Social das Irmãs Oblatas e do GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA. Esta proposta pretende ser incluída no Programa de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria, área geográfica incluída num plano de reabilitação urbana e social a cargo da Câmara Municipal de Lisboa.
Segundo a Rede, na Safe House, as mulheres que trabalham naquela zona da cidade poderão ter acesso a serviços de apoio na área da saúde e também, por exemplo, informação jurídica a vários níveis.
Debater tabus e preconceitos
O recente mediatismo em torno deste projecto deixou as questões essenciais por discutir, alega a Rede no seu comunicado de imprensa, e entre estas está "a necessidade do reconhecimento social e político das trabalhadoras e dos trabalhadores do sexo", bem como "a importância da desconstrução dos tabus e dos preconceitos na relação com o corpo e o sexo, que ainda são maioritários na sociedade portuguesa".
"O trabalho sexual não pode continuar a ser exercido sem direitos, nem proteção social", defende a Rede 8 de Março, acrescentando que "atrizes, dançarinas ou prostitutas, as mulheres estão presentes na indústria do sexo e o seu trabalho tem urgentemente de ser reconhecido".
Foto: Paulete Matos - Manifestação de trabalhadoras do sexo no último MayDay


