Este dia, que contou com uma participação de 1500 mulheres, comemorou-se pela primeira vez a 3 de Maio de 1908, para exigir a igualdade, o direito de voto e lutar contra a opressão e exploração das mulheres. Dois anos depois, Clara Zetkin (1857-1933), na I Conferência Internacional das Mulheres (integrada no Congresso da II Internacional) realizada em Copenhaga, em 1910, propõe que se institua um Dia Internacional das Mulheres, para lutar não só pelo direito de voto para todas, como também contra os salários de miséria e as elevadas jornadas de trabalho. Pretendia-se, pois, que as mulheres se organizassem contra as terríveis injustiças sociais do sistema capitalista e lutassem pela transformação da sociedade. Nessa conferência foi aprovada uma resolução a favor do trabalho das mulheres na indústria e do princípio da igualdade salarial.
Também em Portugal, as trabalhadoras reivindicaram salários mais elevados e a redução das prolongadas jornadas de trabalho. A primeira greve só de mulheres, para exigir uma redução do horário de trabalho, foi protagonizada, em 1882, pelas costureiras de Lisboa. Anos depois, em 1911, Mariana Torres, operária conserveira, foi assassinada pela GNR, em Setúbal, durante a greve das conserveiras desta cidade que lutavam por aumentos salariais. Estes sangrentos acontecimentos em que as mulheres se encontravam na primeira linha desencadearam a primeira greve geral de Portugal e ficaram conhecidos como os “fuzilamentos de Setúbal”.
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