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151112 14nptPortugal - O Diário - Uma Greve Geral tem sempre um grande alcance.


A verificada hoje, 14 de Novembro em Portugal, ocorre em ocasião e com significado especiais.

A agressão do capital nacional e internacional a direitos fundamentais e às condições de acesso e exercício do direito ao trabalho e condições de vida dos trabalhadores é não só muito grave, como ainda assume a intenção de prosseguir até limites inconcebíveis.

A luta decorre todos os dias: nos locais de trabalho e nas ruas, junto de serviços públicos e defronte órgãos de soberania, lá onde a solidariedade entre os trabalhadores e as populações pode organizar-se, exprimir-se, ser escutada, produzir impacto e multiplicar-se.

Os membros do governo e os fazedores de opinião pública – que procuram desarmar a resistência popular – iludem, prometem, iludem e insultam para que o povo se atordoe, hesite, divida e desista. Tirando partido das condições adversas para os trabalhadores, consequentes de mais de um milhão de desempregados, o esmagador peso do trabalho precário, bem como da sinistra tendência regressiva na economia.

Em particular as greves e outros actos de luta laboral e as organizações sindicais combativas, e esta Greve Geral em concreto, são apoucadas na sua dimensão e significado e alvo de calúnias.

Mas a realidade é que esta Greve Geral, inserida no curso de inúmeras lutas laborais que se vêm desenvolvendo contra a imposição de um "pacto de agressão" para um "tratado de submissão" de Portugal, através dos PECs primeiro e agora do "memorando de entendimento" acordado entre as troikas nacional e do capital internacional, é uma afirmação categórica do povo trabalhador contra a política de submissão e ruína do povo português. O Secretário-Geral da CGTP qualificou esta Greve Geral como "uma das maiores de sempre", e os próprios órgãos de comunicação social dominantes avaliaram a participação em 85% o que, sendo um valor impressionante, significa que a adesão real terá sido ainda superior.

A Greve Geral encontrou eco em milhares de locais de trabalho e na maioria dos sectores de actividade, com forte expressão nos organismos da administração do estado a todos os níveis, e naqueles sectores empresariais em que a presença de médias e grandes empresas predominam.

Para além das concentrações e piquetes junto das empresas, realizaram-se concentrações nos centros de todas as capitais distritais e muitas outras cidades maiores.

A Greve Geral, como ficou dito, não é acto isolado, é um elo de uma cadeia, paralela e convergente com várias outras vias de luta do povo português. Pelo direito e acesso: ao trabalho contra o desemprego e pela Segurança Social; à saúde e pelo Serviço Nacional de Saúde; à educação gratuita e pela Escola Pública; à habitação e contra os despejos. As muitas lutas sectoriais na defesa da economia e da produção nacional. Contra as concessões ou privatizações de património e de serviços públicos. Por um país com futuro para o povo.

A CGTP assumiu a sua responsabilidade histórica que lhe advém da luta desde antes da Revolução de Abril. A sua análise da situação presente e a sua disponibilidade para ouvir e traduzir em organização a vontade dos trabalhadores organizados produziu frutos preciosos. A sua mobilização alargou-se e acolheu dezenas de outros sindicatos, filiados na UGT ou não filiados em qualquer delas. Bem como muitos trabalhadores não filiados, desempregados e pensionistas, que todos eles sofrem as consequências da mesma política anti-popular e anti-nacional.

O prestígio internacional da CGTP permitiu coordenar a Greve Geral em Portugal com Espanha, Itália e Grécia, e ainda com acções de solidariedade em Inglaterra, França, Bélgica, Países Baixos, Suíça, Alemanha, Áustria, R. Checa, Eslovénia, Roménia, Suécia, Finlândia. Esta jornada é pois também e tem o alcance de uma ampla iniciativa de solidariedade internacionalista – entre trabalhadores que em diferentes graus sofrem a mesma ofensiva furiosa e cega do capital internacional e seus agentes domésticos.

14 de Novembro de 2012.

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