Todas as fotografias, incluidas as da galeria, são da autoria do fotografo Luis Nunes, para o Diário Liberdade.
Na altura de redigirmos esta informação, a concentração continua e não deixa de crescer, com vários milhares concentrados às portas de Belém, a exigir a imediata demissão do governo que preside Passos Coelho, do PSD, em coligação com o também direitista CDS-PP. Cinco pessoas terão sido detidas sob acusação de terem rebentado petardos em frente às portas do Palácio presidencial.
"Aqui Portugal, ali o capital", gritam milhares de pessoas num clima e indignação generalizada: "Está na hora, está na hora, de o governo se ir embora!", assim como o canto de "Grândola Vila Morena" fazem parte das palavras de ordem da multidão, que garante que ficará em frente à sede da presidência da República até a reunião do Conselho de Estado concluir.
Curiosamente, o Partido Socialista, principal partido da oposição parlamentar e co-responsável pelas políticas ditas de austeridade, evita pedir a demissão do governo. É o povo que espontaneamente sai mais uma vez às ruas em várias cidades de Portugal para protestar contra as constantes medidas antissociais impostas pelo governo, nomeadamente a Taxa Social Única (TSU). A redução do número de escalões no IRS levará ao aumento da contriuição de 3,5 a 4%, o que significa meio salário médio dos trabalhadores e trabalhadoras no ano próximo.
Entretanto, uma vintena de ex-presidentes e outros ex-altos cargos, juntamente com o atual presidente da República, Cavaco Silva, mantêm uma longa reunião para analisar a situação económica do país, com o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, a explicar as medidas previstas pelo executivo da direita.
O primeiro-ministro disse que não é cego nem surdo para os protestos, mas que "sabe o que está a fazer" e continuará em frente.
Quanto à oposição parlamentar de esquerda, nenhum grupo consegue pôr-se à frente dos protestos nas ruas, que continuam a se caraterizar pelo espontaneísmo e a escassa politização. Só a CGTP parece conseguir acompanhar os protestos, tendo convocado para dia 29 umha jornada de luta em Lisboa.
Arménio Carlos, líder da principal central operária portuguesa, garantiu que a CGTP vai convocar uma greve geral, mas reconheceu que ainda não há data marcada para essa jornada. A convocatória no Terreiro do Paço da capital portuguesa no dia 29 será um teste à resposta organizada das trabalhadoas e trabalhadores portugueses.
Centenas protestaram em todo o país
"Contra a troika e o governo", milhares reclamam que deixem de se aplicar medidas não referendadas pelos portugueses e portuguesas, "contra a destruição do país". Os protestos desta sexta-feira não se limitam à capital. No Porto foi a maior concentração depois da de Lisboa, com centenas. Já noutros lugares, como Faro, Bragança, Coimbra, Guarda, foram menos as pessoas mobilizadas, mas em todo o país e nas ilhas houve protestos nas ruas.
Em Aveiro, a ministra da Agricultura Assunção Cristas foi vaiada por centenas de agricultores e agricultoras, que impediram a palestra que a representante do governo quis protagonizar no interior de um local público. As cargas fiscais e o aumento do preço do leite são as reivindicações dos agricultores e agricultores.
Manifestantes asseguram que a pressão sobre um governo debilitado e dividido deverá continuar proximamente até a demissão e a ruptura com as políticas de austeridade imposta pela troika. "Não foi para isso que nós fizemos o 25 de Abril", declarou um trabalhador participante na jornada de luta de hoje dentro das mobilizações convocadas polo movimento "Que se lixe a troika".

