O mês de Junho reflectiu ainda a suspensão do pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos, verificando-se no montante global dos salários referentes a esse período uma redução de 18% face aos primeiros seis meses de 2011. Esta redução foi a maior desde há 11 anos.
Os dados do Banco de Portugal indicam ainda uma considerável descida no número de portugueses a receber ordenado, que será consonante com a galopante subida da taxa de desemprego.
Recorde-se que o FMI e a OCDE recomendam a Portugal que reduza ainda mais os salários por forma a supostamente ganhar 'competitividade' e combater o desemprego. E esta sexta-feira vimos o presidente do Banco Central Europeu juntar-se a estas vozes e exigir a descida dos salários nos países sob intervenção das troikas; ainda nos lembramos que o coordenador da missão do FMI em Portugal prometia que não haveria cortes nos salários dos privados.
Analisando a política seguida nos últimos anos podemos verificar que não só o desemprego aumentou como as famílias perderam poder de compra e vivem hoje estranguladas por uma carga fiscal alta, o que leva a uma diminuição geral no consumo e inevitavelmente a esse aumento de desemprego.
Os países mais desafogados em termos financeiros já perceberam há muito que a política de baixos salários não é motor da economia e que as suas dividas públicas crescem se não houver liquidez proveniente da taxação de produtos e serviços. Só as economias baseadas em mão-de-obra barata, e que tipicamente deixam os direitos humanos e de trabalho nos porões mais obscuros, conseguem crescer à custa dos trabalhadores alimentando constantemente fortunas colossais que se deslocam ao sabor dos desumanos mercados financeiros. Curiosamente os países onde as 'troikas' ( FMI, Banco Mundial,etc...) tiveram mão foram aqueles que mais tempo viveram em ditaduras geradoras de oligarquias que fizeram fortunas à custa da exploração dos trabalhadores e dos recursos e riquezas naturais de domínio público.
Portugal, entre outros, é um dos países da Europa onde o fosso entre ricos e pobres é maior o que revela a essência das políticas traçadas nos últimos anos e que nada contribuíram para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e das famílias. Outro dado curioso é que em tempos 'austeritários' as maiores fortunas continuam a crescer para os que patrioticamente deslocaram as duas sedes financeiras para países mais baixos.
Provavelmente os nossos 107 euros andam por lá...
Foto: ACP-PI


