Nesta sexta feira, os trabalhadores dos transportes vão-se concentrar às 10 horas na Praça da República e desfilarão até à Câmara Municipal do Porto. O protesto é contra o plano estratégico do governo para o setor dos transportes públicos e no desfile seguirá um burro “figura alegórica da atual política de transportes e animal que no futuro poderá voltar a ser utilizado como meio de transporte, face ao preço e restrições que irão sentir os utentes da STCP futuramente”, segundo refere o dirigente sindical Vítor Pereira.
O dirigente da Fectrans (Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações) e do Strun (Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte) diz que a greve nos STCP será de 24 horas, nesta sexta feira, contando com o apoio da Comissão de Trabalhadores da empresa.
Segundo o site do jornal “Expresso”, Vítor Pereira denuncia que os STCP após terem rescindido os contratos de prestação de serviços com operadores de transportes como a Gondomarense ou a Pacense, preparam-se para entregar novas carreiras a empresas de transportes privadas, “um crime que irá matar lentamente os STCP e prejudicar os utentes”. O dirigente sindical diz que a nova administração dos STCP, "que ainda não aqueceu o lugar", está a desrespeitar os direitos laborais consagrados no Acordo Empresa.
Segundo Ricardo Cunha, da Comissão de Trabalhadores dos STCP, a CT foi confrontada com um conjunto de “perda de direitos dos funcionários”, em reunião com o administrador dos STCP César Navio. O administrador anunciou, nomeadamente: O fim do pagamento de horas extraordinárias aos motoristas; a redução da compensação salarial de 200 para 50% nos feriados; a alteração nas regras de rescisão por mútuo acordo - baixando as indemnizações de 1,5 para um mês por ano de trabalho.
Ricardo Cunha refere, no entanto, que os utentes serão os mais prejudicados pois, a partir de janeiro, irão pagar ainda mais nas linhas entregues às transportadoras privadas e sofrerão previsivelmente corte da oferta de autocarros e rotas. Ricardo Cunha sublinha que “sem comparticipação do Estado, as linhas serão naturalmente ditadas pela lógica do apetite comercial, isolando as pessoas que não têm meios para se deslocar em transporte próprio”.


