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passoscoelhomensagemnatalPortugal - ACP-PI - Na habitual mensagem de Natal o primeiro-ministro falou de de "novas oportunidades" de que "beneficiarão" aqueles que participaram no "esforço" e fez um auto-elogio dizendo que a "esmagadora maioria das reformas" já foi concluída.


O primeiro-ministro tem razão, a maioria das reformas inscritas no memorando da troika já foram realizadas, mas isso aprofundou a crise e não nos deixou um milímetro mais perto a sair dela. Estamos hoje numa crise muito mais profunda e muito mais longe do fim da crise do que antes da entrada do FMI, BCE e da CE em Portugal. O desemprego disparou para níveis históricos, ultrapassando os 15%; o desemprego real já afeta mais de um milhão e trezentas mil pessoas (mais de 1 em cada 5 pessoas em idade ativa); a emigração aumentou para níveis só comparáveis ao êxodo dos anos '60 do século passado; a precariedade está a ganhar terreno como regra nas relações laborais; está em curso um ataque fiscal que rouba mais de um salário a quem trabalha; os serviços públicos tornaram-se mais pequenos, piores e muito mais caros; a dívida pública subiu de pouco mais de 90% em 2010, para mais de 117% neste momento; os juros da dívida pública em 2013 equivaleram ao orçamento do sistema nacional de saúde; e a pobreza e a fome afetam milhares pessoas, muitas vindas de uma "classe média" que nunca pensou cair abaixo desse limiar.

A sociedade portuguesa está num estado de letargia induzida pela hecatombe criada pelas medidas do Governo e da troika e o primeiro-ministro fala-nos da terra do leite e do mel onde haverá "novas oportunidades" para todos. Não aceitamos que goze connosco e não aceitamos que aplique a estratégia clássica do pau e da cenoura, e enquanto bate com mais medidas de austeridade que não terão fim, finge que existe um Portugal imaginário com "anos de oportunidade" que nos espera.

Foto: Passos Coelho na mensagem de Natal.


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