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111012 Passos-e-RelvasPortugal - Jornal Mudar de Vida - [Carlos Completo] Em 2003, Miguel Relvas era secretário de Estado da Administração Local do governo de Durão Barroso e tutelava o programa "Foral", composto por dinheiros do Fundo Social Europeu e do Estado português, destinados à formação profissional ao nível das autarquias.


Este programa era da competência do secretário de Estado da Administração Local, mas a aprovação dos projectos apresentados por empresas privadas na região Centro era feita pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, dirigida por Paulo Pereira Coelho, também do PSD.

No ano de 2003, grande parte do negócio de formação profissional da Região Centro foi para Tecnoforma, de que Passos Coelho era então consultor e gestor (vindo a ser administrador desta empresa entre 2005 e 2007). Nesse ano, a Tecnoforma ficou com mais de 80% dos fundos destinados à Região, conseguindo 63% dos contratos celebrados ao abrigo do programa "Foral". Aliás, esta mesma empresa, com pouco destaque no mercado da formação, havia de conseguir, entre 2002 e 2004, obter 26% dos contratos deste tipo realizados em todo o País. Mas Miguel Relvas e Passos Coelho negam ter havido aqui qualquer favorecimento. Talvez, apenas, uma proveitosa coincidência!

Lembramos que o escândalo da relação entre Miguel Relvas e Passos Coelho, a propósito deste caso, foi trazido a público por Helena Roseta durante um debate político na SIC-Notícias. Aí, a actual vereadora da Câmara Municipal de Lisboa e antiga presidente da Ordem dos Arquitectos, referiu ter sido abordada por Relvas para que a Ordem aderisse ao programa Foral, na condição da formação ser dada pela empresa de Passos Coelho.

Problemas como o da Tecnoforma ou outros de tipo semelhante, como os dos casos Portucale , Freeport e Submarinos, dizem respeito a alguns dos chorudos negócios do pessoal político do chamado arco governativo – PSD, PS e CDS – que, geralmente, não têm sido pronunciados ou, então, têm resultado ilibados pelo poder judicial de qualquer crime contra o Estado português. O aparelho judicial montado pelas classes dominantes foi construído, sobretudo, para aplicar as suas leis, não aos governantes burgueses, mas aos trabalhadores e ao povo. Certamente que aqui nos encontramos também perante outras proveitosas coincidências!


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