Durante as últimas décadas, com governos do PS, PSD e CDS (isolados ou em sociedade partidária), este tipo de movimento foi particularmente visível nos períodos anteriores às eleições legislativas e à tomada de posse de novos governos. Ou, então, logo a seguir a estes tomarem posse, quando pertenciam a partidos políticos diferentes dos integrantes do governo anterior. E, ao longo do tempo, fomos assistindo a uma contínua movimentação (claramente promíscua) de gestores e governantes entre o aparelho de Estado e os negócios privados.
Apesar das ditas boas intenções de António Guterres que, após as eleições legislativas de 1995, afirmava "No jobs for the boys", a verdade é que o movimento de assalto aos tachos prosseguiu. Nisto de declarações de princípios e de promessas eleitorais dos políticos burgueses não se pode confiar. Veja-se o que, por exemplo, afirmaram Sócrates ou Passos Coelho nos anos mais recentes. E o que fez o primeiro e o que ainda continua a fazer o segundo!
Nos últimos tempos, com o élan das privatizações e a particular voracidade evidenciada pelos chamados neoliberais, o movimento dos tachos tem assumido proporções escandalosas. Com filhos, primos, amigos e diversa gente dos partidos do governo PSD/CDS envolvidos na corrida para gestores e administradores. E com centenas de assessores e "especialistas", videirinhos, agarrando situações de privilégio. Tem sido um "fartar vilanagem". Eduardo Catroga, Celeste Cardona, Teixeira Pinto, Braga de Macedo, José Luís Arnault, Manuel Castelo-Branco ou Miguel Moreira da Silva, são apenas uma pequena mas significativa amostra deste tipo de vampiros.
Apesar da indignação suscitada em muitos, não é caso para admiração: o movimento dos tachos, mais camuflado ou mais às claras, mais rápido ou mais lento, é inerente ao próprio capitalismo.


