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sercretario cultura ptPortugal - O Diário - [Filipe Diniz] O irresponsável que desempenha o cargo de secretário de Estado da Cultura deu uma entrevista (DN, 15.07.2012). A entrevista, que se pretenderia «política», retrata um indivíduo para quem o debate e a reivindicação no sector da Cultura são «chantagem», às quais responde da única forma que sabe: com o remoque e a provocação.


Só um provocador pode afirmar que, na Cultura «ainda não se atingiu o limite [dos cortes] a partir do qual não é possível trabalhar mais». Que dirão perante tal afirmação as entidades, instituições, criadores e outros trabalhadores da Cultura que há muito sobrevivem não se sabe bem como e que fecham as portas, cessam a actividade, não podem «trabalhar mais» graças aos cortes drásticos de que há anos são alvo, radicalmente agravados primeiro com os PEC do PS, agora com as imposições da troika?

Diz o SEC (tal como a ministra PS que o antecedeu), que a “Cultura é solidária com o esforço financeiro feito pelo governo”. Saberá este senhor que o buraco do BPN actualmente estimado pela CGD é 38 vezes superior ao miserável orçamento da Cultura para 2012? E como pode pretender comparar a situação portuguesa com a de outros países onde se registam igualmente cortes no financiamento, quando, do ponto de vista dos indicadores culturais, Portugal se situa a tão grande distância deles?

Desconhece o SEC que, segundo dados do Eurostat, Portugal tem a 3ª mais baixa taxa de emprego em áreas culturais da UE27? E que tem, em compensação, a 7ª mais alta taxa de empregos precários e a mais alta taxa de empregos temporários nessas áreas? Que Portugal tem dos mais altos défices da UE27 entre exportações e importações de bens culturais? Que em 2007 70% dos portugueses não assistiram a uma única sessão de cinema, mais de 50% não assistiram a um espectáculo ao vivo, perto de 70% não visitaram qualquer espaço cultural, cerca de 60% não leram um livro?

Levanta-se no país inteiro a acção em defesa da Cultura. Alarga-se a reivindicação de “1% para a Cultura”. Uma política contra a qual o universo da Cultura se levanta ao lado dos trabalhadores e o povo não tem só os dias contados. Tem a derrota à vista.


 

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2016, 19.07.2012.


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