Nesta entrevista, o ministro dos Assuntos Parlamentares tenta mais uma vez passar a sua suposta preocupação com os jovens, procurando recuperar a sua imagem e a do Governo depois do convite à emigração e outras que tais. Mas a boca fugiu para a verdade e o ministro disse o que pensa: a precariedade, mesmo quando abertamente e reconhecidamente ilegal, é o modelo defendido.
À insistência da jornalista sobre a ilegalidade dos falsos recibos verdes e a raíz do problema ser a ausência dos contratos de trabalho, o ministro contrapôs com a chantagem do desemprego e comportou-se como mero porta-voz dos empregadores que pretendem continuar a não cumprir a lei e a massacrar centenas de milhares de pessoas. "Não há outra saída!", "quer gerar mais desemprego?, quer gerar mais desemprego?": é assim que Miguel Relvas responde - não podem existir alternativas, quem as defende só pode querer mais desemprego. Se dúvidas existissem, Relvas deixou clara a intenção do Governo com a implementação do "subsídio de desemprego" para quem trabalha a recibos verdes - que, como sabemos, se concretizou em valores ridículos e na perspectiva de excluir a larga maioria destes trabalhadores - é, na verdade, perpetuar uma realidade injusta e camuflar esta fraude de grandes dimensões.
Foto: Ministro Miguel Relvas na entrevista ao P3. Foto de Pedro Almeida, Público.


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