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230512 portasPortugal - Jornal Mudar de Vida - [Manuel Raposo] A bravata de Paulo Portas em enviar meios militares portugueses para as proximidades da Guiné-Bissau, acabou num retorno a casa quase em silêncio.


Talvez para disfarçar o caso dos submarinos, encomendados quando ele foi ministro da Defesa e que continua por esclarecer, talvez para dar uso aos militares e anular contestações, Paulo Portas viu no golpe militar na Guiné-Bissau uma oportunidade para se evidenciar. A pretexto de "proteger os cidadãos portugueses" colocou de prontidão uns tantos destacamentos das forças armadas e mandou-os zarpar para "ficarem mais perto" – dois aviões, quatro navios e perto de 700 militares, que despenderam quase 6 milhões de euros. É claro que estava a pôr-se em bicos de pés para o caso de ser formada uma força militar a mando da ONU para intervir na Guiné.

Os contactos com os militares revoltosos para libertar os dirigentes detidos e tentar normalizar a situação acabaram por ser conduzidos por africanos – sete países da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) – que constituíram o grupo de contacto para as negociações, como seria de esperar, sem que Portas ou as autoridades portuguesas fossem tidas nem achadas para o assunto.

À parte qualquer juízo sobre o golpe (que revela uma vez mais a degradação do poder da burguesia que manda em Bissau), a posição do governo português destila saudosismo colonialista; e não é a reclamação da legalidade democrática para a Guiné que o pode disfarçar.

Incentivados pelo terrorismo de estado posto em marcha por Cameron e Sarkozy contra a Líbia e a Síria, Portas e o governo acharam-se no direito de "pôr ordem" na Guiné. Ninguém os mandatou para isso. E se não bastasse a história ainda fresca do colonialismo luso, as malfeitorias de Passos e Portas contra o povo português seriam suficientes para fazer deste governo o último a ter moral para ensinar democracia seja a quem for.

Torna-se claro que as autoridades portuguesas fizeram do golpe motivo para tentar tirar dividendos em África – fosse à boleia da ONU, fosse como ponta de lança da NATO. É isto que importa condenar de modo inequívoco.

A passividade com que a manobra foi recebida por parte das forças políticas portuguesas é também um sinal da degradação a que chegou, 38 anos depois do 25 de Abril, o regime português – consagrado a 25 de Novembro de 75, precisamente através de um golpe militar antipopular...


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