"O aumento é incontornável", sublinhou ontem Cabaço Martins (ANTROP) depois de o secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, ter revelado o aumento dos transportes públicos, que será superior a 1,5 euros no passe da capital (L1 ), que custa actualmente 38,30 euros.
O anúncio foi bem recebido pelos donos das empresas, que se quixam do aumento do preço dos combustíveis e de terem vindo a perder "passageiros e receitas", nomeadamente com a introdução de tarifários com descontos de 50% para os mais jovens.
Este aumento intercalar de preços, previsto no acordo assinado entre os transportadores de passageiros e o Ministério das Obras Públicas, segue-se a um congelamento de preços desde 2008, ano em que subiram duas vezes, uma em Janeiro (aumento de 3,9%) e outro em Julho (cerca de 6%).
Dentro do estilo a que nos tem habituado, de jurar hoje uma coisa e fazer o seu contrário no dia seguinte, ontem à tarde Vieira da Silva admitia o aumento de preços, enquanto o gabinete do ministro das Obras Públicas dizia que o assunto não estava na agenda do Governo. É bom lembrar que no fim do ano passado, o Ministério decidiu congelar os preços com o objectivo de incentivar o uso do transporte público e não agravar as dificuldades das famílias devido à crise económica.
Táxis Também
Os táxis também deverão aumentoar, caso o Ministério da Economia reconheça ao sector o que fez com os transportadores públicos, ao recordar que preços já não são mexidos há dois anos. Os taxistas apontam para subidas entre os três e os quatro por cento, de forma a reduzir o impacto do aumento dos dos combustíveis. Esta posição é defendida pelas duas associações (a Associação Nacional dos Transportadores em Automóveis Ligeiros e Federação Portuguesa do Táxi), que no entanto estavam dispostas a dispensar os aumentos caso o Governo optasse por baixar os impostos no combustível, criando o gasóleo profissional para o sector. Caso não aconteça, quer Florêncio de Almeida (da Antral) quer Carlos Ramos (FPT) defendem subidas nos tarifários.
Greve nas transportadoras privadas com "adesão positiva"
Entretanto os trabalhadores de empresas privadas de transporte de passageiros, iniciaram uma greve de 24 horas esta madrugada, contra o bloqueio da negociação colectiva e o congelamento de salários que está a registar uma adesão "positiva", segundo a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS).


