Nem sabem o que isso seja. Caso não fossem para o "trabalho" de Mercedes ou Audi talvez tivessem um pingo de humanidade, no sentido de não cortar os transportes públicos, prejudicando seriamente quase 200 mil utilizadores.
O ministro da Economia, Álvaro de seu nome, toma medidas injustas e impopulares, como a de fechar o Metropolitano, linhas da Carris e Transtejo (nem se menciona a CP...). Estas servem milhares e milhares de pessoas com horários nocturnos que, não tendo alternativa –, apanhem táxi. Álvaro não sabe o que anda a fazer. Demonstra ignorância pelo modo como os clientes das transportadoras vivem. Esta gente não quer saber do factor humano, repito. Tantos economistas, doutores e contabilistas juntos e nenhum faz a menor ideia do que seja acabar um turno à meia-noite e ter casa nos subúrbios. Querer antecipar o fecho do Metro para as 23 horas não faz sentido, – qual é a capital europeia que fecha o Metro às 11 horas da noite? Implementar estas medidas é também tirar o pão a milhares de trabalhadores porque não conseguem manter os postos de trabalho, já que ficam sem alternativa de transporte para regressar às suas casas.
Como se não bastasse, o desconto de 50% que os idosos, estudantes e crianças têm nos passes sociais vai terminar a 31 de Dezembro. A população mais velha vive, em geral, em condições muito precárias pelo que, cortando-lhes esse justo benefício, ficarão mais limitadas nas suas deslocações. Os idosos ficarão mais pobres. Como querem incentivar os jovens a estudar – com os exagerados custos das propinas? – se até agora os transportes vão ver o seu preço aumentado para o dobro? É claro que muitas famílias vão deixar de poder sustentar os estudos dos seus filhos. Fica também claro que o direito à educação, consignado na Constituição, não está ao alcance de todos.

[Vítor Colaço Santos] Mais longe do quotidiano dos portugueses, Passos e Álvaro afastam-se dos governados, à frente de sirenes e batedores, atrás de vidros fumados à prova de bala. Não andam de transporte público.