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040312_tvPortugal - Política Operária - Há muito que o Prós e Contras deixou de ser um programa de debate onde se esgrimem argumentos e ideias contraditórias sobre questões políticas e sociais, mas uma espécie de sessão de esclarecimento sobre o entendimento que as "forças vivas" da nação têm sobre os problemas do país


Há até quem já lhe tenha chamado Prós e Prós.

E ao que parece, as coisas vão de mal a pior. Depois da lamentável sessão de propaganda e promoção dos negócios entre as burguesias portuguesa e angolana, seguiram-se um programa sobre a proposta de lei da habitação – na verdade uma sessão em que a ministra foi sorridente e pacientemente "esclarecendo" sobre a bondade da sua lei e como são infundados os receios de que ela se torne uma lei dos despejos – e outro sobre o desemprego. Este foi um espectáculo lamentável, do baixo nível, mas que teve a utilidade de elucidar sobre a estreiteza de vistas e a alienação da nossa classe média.

A grande maioria dos convidados e dos assistentes, assim como a moderadora, descobriram que a empregabilidade é a grande solução. (A empregabilidade é um conceito vindo de Bruxelas como a solução para o desemprego descoberta pelos burocratas comunitários e em cuja "implementação" por associações, fundações, institutos e empresas têm vindo a ser gastas centenas de milhões de euros há mais sete anos). E como dizia um doutor em marketing com a boçalidade de quem vê o mundo do alto da universidade e das acções de formação, é uma imbecilidade pensar que há emprego e salário ou que a culpa é do sistema capitalista e dos governos. Essas são ideias e atitudes do passado, o mundo agora é outro. O que temos de nos interrogar é sobre o valor que podemos criar, se somos capazes de vender a ideia e se foram acertadas as decisões que tomámos.

O desemprego nada mais é que o resultado dessa incapacidade. Por outras palavras, o desemprego é culpa do desempregado. Pelo meio, três patéticos desempregados, todos licenciados e com um largo percurso de vendedores: uma a dizer-se sensibilizada com o drama dos patrões que se vão deitar a pensar como vão pagar aos seus "colaboradores" no fim do mês – os trabalhadores não têm qualquer preocupação, e só chegar ao fim do mês e receber o ordenado –, outro a gabar-se de nunca ter descontado nem recebido subsídio de desemprego, e o terceiro perfeitamente convicto da justeza do seu despedimento, porque tinha de calhar a algum e calhou ser ele, foi para bem da empresa.

Depois uns casos de empreendedores de sucesso, a provar que. com pensamento positivo, vontade e uma boa ideia, tudo se consegue. E como não podia faltar, um bastante aplaudido representante da igreja, a confundir pregação e caridade com emprego. Ficámos a saber que Jesus é o salvador do mundo e que os vicentinos já deram 180 mil euros a pessoas que os procuraram aflitas para criar um negócio. E para a comédia ficar completa, no fim assistiu-se a um ataque em forma ao actual secretário-geral da CGTP, como se ele e ela fossem afinal os grandes culpados da crise e do desemprego, à mistura com saudosos elogios ao anterior líder Carvalho da Silva, um homem cordato e responsável que nunca deixou as lutas dos trabalhadores ultrapassarem certos limites.


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