Como se estes crocodilos lacrimejantes não pertencessem precisamente à mesma casta que supostamente criticam! Como se não fossem altos-responsáveis de partidos que não apenas fomentam o sequestro da democracia por essa casta, mas também defendem programaticamente a perpetuação das condições sócio-económicas que alimentam as desigualdades sociais, os privilégios das elites e a marginalização da maioria da população dos processos de decisão, ao nível económico e político!
Sempre que achei que esta moda dos "manifestos cidadãos" é gato-escondido-com-o-rabo-de-fora, sendo cada vez mais evidente que os seus principais dinamizadores, geralmente fazendo uso de uma retórica anti-partidária, não passam de burocratas que foram afastados da direcções partidárias pelas vicissitudes do momento. Comadres arreliadas, portanto.
Todas as reformas no sentido da uma maior democratização são bem vindas, mas duvido que sejam estes sectores sociais a avançá-las. Além disso, só poderá haver uma democracia política efectiva quando deixar de haver exploradores e explorados no campo económico. Quando for o poder popular a dominar o Estado e não o capital financeiro. Quando for a política a decidir e não o mercado. Até lá, todos os gemidos desta "aristocracia indignada" caem em saco-roto.
Até porque há, e sempre houve, esquerdistas que propõem uma ruptura com o regime político e económico, embora porventura não sejam tão "notáveis" aos olhos da classe dominante e dos seus media.
Chamam-se socialistas revolucionários.
Foto: Porquemedizerm - DL: Qualquer dia encontramos ao do lado esquerdo da fotografia a assinar um manifesto pela 'ruptura no sistema político' junto com o da direita.


