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pcpbePortugal - Vermelhos - [João Delgado] A aproximação entre PCP e BE prossegue a ritmo lento, para muitos demasiado lento, considerando a tragédia que se abate sobre os trabalhadores e todo o povo, com a impante arremetida contra-revolucionária, acobertada, e acobardada, no acordo com a troika.


Poder-se-á pensar que não nos cabe, àqueles de nós que não têm militância partidária, outra solução que não seja permanecer na expectativa, olhando o copo meio cheio ou meio vazio, de acordo com as nossas convicções e optimismo. Sou dos que acredita que todos temos, sempre, uma palavra a dizer, e devemos fazer uso dela, seja no movimento associativo ou sindical, nas nossas relações pessoais, ou nestes labirínticos caminhos da web, onde as opiniões são como as cerejas, mas nem por isso deixam de se somar e ser ouvidas por quem tem o poder, e a responsabilidade, de tomar decisões.

A anunciada redação comum de um documento, entre bloquistas e comunistas, a apresentar ao Tribunal Constitucional em rejeição do orçamento de Estado, pode parecer um pequeno passo, mas tem a indesmentível qualidade de constituir a primeira tradução em proposta política assinada resultante da convergência dos dois partidos.

Por isso, este pequeno passo obrigará a variados encontros, cuja densidade será decerto mais substantiva do que o da rotina parlamentar de acertos e combinações entre projectos de lei, que, recordamos, acabam sempre por ser apresentados por cada um dos partidos separadamente.

As diferenças, divergências e desconfianças de décadas exigem de todos especial sensibilidade neste momento de reunir forças, para parar e inverter a contra-revolução em curso, a vingança do 25 de Abril que a direita no poder conduz, perante o balbuciar do PS. E essa sensibilidade deve vir, em primeiro lugar, dos principais protagonistas institucionais de uma convergência de esquerda, o que parece estar a acontecer, vistas e ouvidas as respetivas súmulas do encontro de ontem, em que diferentes pontos de vista foram expressos sem dramatismos, com o BE a incluir o PS neste diálogo das esquerdas, enquanto o PCP prefere colocar a tónica na necessidade imperiosa de demissão do governo e convocação de eleições antecipadas.

Sendo claro que o PCP se apresenta, neste momento, como mais reservado sobre as formulações governativas que possam substituir a direita no governo, foi também dos comunistas que veio a formulação mais clara sobre a magna questão da continuação de Portugal no Euro, e mesmo na União Europeia, com a defesa de um referendo. E este é, porventura, o aspecto primordial das discordâncias entre PCP e BE, porque é a partir daí que se desenvolvem a generalidade das propostas políticas para o país. Resolver esse nó górdio da UE / Euro parece ser, então, tarefa urgente para a esquerda anti-capitalista, não significando isto que seja necessário abandonar princípios, mas antes que é essencial construir concordâncias mínimas. Construir será a palavra-chave para 2013. Antes que seja demasiado tarde.


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