Enganou-se: debaixo dum aparente conformismo a revolta foi crescendo e explodiu em Setembro nas duas grandes manifestações de 15 e 29. Os alvos políticos da fúria popular ficaram bem identificados: a austeridade, o governo e a troika. "Gatunos!" é a expressão que tudo resume.
O abalo abriu uma crise política no poder que está longe de sanada, provando que só através da luta de massas – e de uma luta de massas apontada contra o capital – se pode travar a política de austeridade.
Mas não esmoreceu a sanha do governo e dos patrões de arrasar os custos do trabalho. Da conversa sobre o Orçamento do Estado destaca-se um propósito: sugerir que o aumento de impostos e o corte de salários e subsídios serão intermináveis, e insuficientes, enquanto não forem "emagrecidos" os serviços públicos assegurados pelo Estado. O OE, que todos os entendidos dizem ser irrealizável, ganha então um sentido político claro: o próprio fracasso das metas do OE servirá para mostrar que o sacrossanto equilíbrio orçamental exige desmantelar esses "luxos" que são a Saúde Pública, o Ensino Público e a Segurança Social. Como se nos dissessem: quem não tem dinheiro não tem vícios.
O novo dilema que o poder nos coloca (mais impostos ou menos serviços sociais) tem porém solução: o financiamento dos serviços sociais não com impostos sobre o trabalho mas com impostos fortemente progressivos sobre o capital e as fortunas. O que mostra de novo que a oposição à politica de austeridade obriga a atacar os privilégios do capital. É esse o único rumo da luta de massas que pode dar frutos.
Prosseguir e levar mais longe as manifestações de Setembro, impulsionar as acções de empresa e de rua contra a política capitalista de austeridade – é o que se exige da greve geral do próximo dia 14.
Foto: Luís Nunes.

