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180912 porto lotadoPortugal - Jornal Mudar de Vida - [Pedro Goulart] Uma das palavras mais gritadas nas manifestações de 15 de Setembro foi: gatunos, gatunos!


Raramente uma palavra se mostrou tão adequada para expressar aquilo que é hoje efectivamente sentido por milhões de portugueses que, diariamente e de diversas maneiras, são espoliados pelo governo do PSD/CDS, a mando do patronato e da troika. E, ao contrário do que pretendem certos analistas e serviçais do sistema, o que está essencialmente em jogo nestas manifestações é o conteúdo – o esbulho – e não tanto um "défice de comunicação".

Que outro termo mais apropriado utilizar para qualificar um governo que retira violentamente salários e subsídios de quem trabalha, assim como as pensões dos reformados, entregando a seguir parte desse montante nas mãos dos capitalistas? Não será mais acertado gritar, em relação às extorsões levadas a cabo por este governo, a expressão popular "agarra que é ladrão", no seu sentido próprio, do que fazê-lo quando um trabalhador ou um pobre rouba comida para a família?

Sabemos que o patronato subtrai diariamente aos trabalhadores parte do valor por estes criado nas suas empresas, e que tal constitui a mais-valia apropriada pelo capitalista, a que muitos, em linguagem vulgar, chamam roubo. Mas isto faz parte da engrenagem do sistema actual e, muitas vezes, não é apercebido por grande parte das pessoas. Contudo, no contexto actual, o esbulho escandaloso de salários e pensões, particularmente da TSU (em que se mostra bem do que esta gente é capaz), aparece muito mais claramente como um autêntico roubo.

A justa indignação manifestada de diversos modos pelos trabalhadores e pelo povo, muito significativamente expressa nas manifestações do dia 15, pode conduzir a formas de luta mais libertas de peias institucionais e, eventualmente, mais radicais. Assim, parece poderem justificar-se as advertências do SIS e da PSP, que aconselham os ministros a não saírem à rua sozinhos. Aliás, o governo, ministros e outra gente do aparelho de estado, receosos pelos seus crimes, não são parcos na garantia dos meios dedicados às forças de segurança. Aqui, não há lugar a cortes significativos nas despesas. Por exemplo, dos 27000 veículos do parque automóvel do Estado, mais de 58% estão dedicados às forças de segurança. Pois a corja que governa o País sabe que quem semeia ventos pode colher as tempestades.

Que este 15 de Setembro represente uma boa lição para muitos, assim como o início de uma nova fase de luta das classes trabalhadoras e do povo português, no sentido da sua plena emancipação!


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