"Os fármacos que curam não são rentáveis e, por isso, não são desenvolvidos pelas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores, que sejam consumidos de forma serializada”, disse Roberts, em uma entrevista à revista digital ‘PijamaSurf’.
"Alguns fármacos que poderiam curar totalmente uma enfermidade não são investigados. Até que ponto é válido que a indústria da saúde seja regida pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chegam a parecer-se muito à máfia”, se pergunta o Nobel de Medicina de 1993.
O cientista e investigador acusa às farmacêuticas de esquecer-se de servir às pessoas e de preocupar-se somente com sua rentabilidade econômica. "Comprovei como em alguns casos os investigadores dependentes de fundos privados poderiam ter descoberto remédios muito eficazes que teriam acabado completamente com uma enfermidade”, explicou.
As farmacêuticas não estão interessadas em curar; mas, em ganhar dinheiro
Agrega que as empresas deixam de investigar porque "não estão tão interessadas em curar; mas, em ganhar dinheiro. Muitas investigações são desviadas para obter como resultado remédios que não curam totalmente, mas que cronificam a doença; as pessoas experimentam uma melhoria, mas esta desaparece quando elas deixam de tomar o medicamento”. Ressalta que, habitualmente, "a indústria está interessada em linhas de investigação não para buscar curas para certas enfermidades; mas, só para manter a dependência, o que é muito mais rentável”.
Sobre as razões do porque dos políticos não intervirem, Roberts argumenta que "em nosso sistema, os políticos são meros empregados dos grandes capitais, que investem o necessário para eleger seus candidatos; caso não sejam eleitos, compram os que foram”.