A denúncia do acto censório da instituição presidida por Durão Barroso é feita numa carta subscrita por mais de 60 eurodeputados dirigida ao comissário europeu John Dali.
O trabalho original ("Extended report") foi realizado pela Directoria Geral para a Saúde e Consumidores. Trata-se de um estudo extensivo intitulado "O Estado da Saúde do Homem na Europa" e representa globalmente uma carta sobre a saúde do homem europeu, realizada em 34 países, dos pontos de vista demográfico, médico e epidemiológico.
Os eurodeputados não têm dúvidas de que o carácter "altamente selectivo" dos termos e partes suprimidas "tem um inegável significado político" e declaram-se preocupados com o facto de a Comissão "apenas ter assumido a versão do relatório que exclui aspectos cruciais da política de saúde pública relacionada com a saúde do homem".
O relatório completo está online mas não foi oficialmente assumido pela Comissão Europeia, não foi prefaciado pelo director geral e inclui a seguinte nota: "Este relatório representa os pontos de vista dos seus autores". Os eurodeputados signatários da carta consideram claro, por isso, que "se tratou de uma escolha editorial feita pela Comissão".
Perante o comportamento da Comissão, os eurodeputados pretendem que esta entidade explique o critério que levou a "apagar selectivamente todas as referências a sexualidade, orientação sexual e saúde sexual e reprodutiva" e também "de quem foi a responsabilidade". E desejam saber de que modo estas supressões contribuem "para uma melhor compreensão da saúde do homem" e para "os valores fundamentais de igualdade e equidade, uma vez vemos muitos homens cujas vidas são perturbadas por uma falta colectiva de consciência e acção perante os problemas que enfrentam" – como se lê no relatório final.
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