No dia 13 de maio aconteceram eleições gerais intermediárias nas Filipinas com o objetivo de renovar parcialmente os poderes legislativos nacionais e locais, em 15 das 17 regiões administrativas. Os principais vencedores foram os setores ligados ao ex-ditador Ferdinand Marcos (1965-1986). A viúva, Imelda Marcos, se reelegeu como deputada pelo partido Kilusang Bagong Lipunan. A filha, Imee, foi reeleita como governadora da província de Llocos Norte. O filho foi eleito ao senado pelo Partido Nacionalista.
O presidente da república, Benigno Aquino III do PL (Partido Liberal), ficará no cargo até 2016. O PL encabeçou a chamada Revolução Poder Popular, que sucedeu a ditadura de Ferdinand Marcos, derrubada por uma rebelião popular. Os velhos feudos familiares continuaram comandando e se beneficiando, a começar o da própria família Aquino, enquanto as organizações sindicais, sociais e políticas populares continuaram na clandestinidade ou semiclandestinidade. Dos 100 milhões de habitantes, em torno a 30% vive abaixo da linha oficial de pobreza, além de 12 milhões terem migrado.
O ex-presidente Joseph Estrada, que sucedeu a Corazón Aquino, foi deposto pelo Supremo Tribunal, em 2001. A ex-presidente Glória Macapagal-Arroyo está sendo processada por corrupção.
Em 2009, aconteceu o episódio conhecido como o massacre de Maguindanao. Um grupo de pessoas se dirigia para registar a candidatura oposicionista de Esmael Mangudadatu, vice-presidente da câmara do município de Buluan, foi brutalmente assassinado a mando do governador da província de Maguindanao, Andal Ampatuan. Foram mortos a mulher do candidato Mangudadatu, 34 jornalistas que acompanhavam o grupo, advogados, apoiantes e motoristas.
O imperialismo tenta controla o aprofundamento da crise com a política da "cenoura e o cassetete"
As Filipinas apresentam um dos salários mais baixos da região Ásia Pacífico, além da grande precariedade das condições de trabalho. Por esse motivo, o País é um dos grandes receptores da migração do parque industrial japonês, junto com a Tailândia e a Indonésia, num movimento que se acentuou nos últimos quatro anos devido ao aprofundamento da crise capitalista nos países centrais.
Com o esgotamento dos mecanismos de contenção, a crise passou a afetar em cheio também os países atrasados de conjunto. Filipinas são um dos poucos países que ainda sustenta uma certa taxa de crescimento, às custas da super-exploração dos trabalhadores. Mas essa "bonança" começou a se esgotar a partir do ano passado. A política de contenção teve como objetivo a tentativa de promover a exploração depredatória das províncias que ainda não tinham sido entregues em larga escala para os monopólios imperialistas devido à forte atividade guerrilheira. Esse foi o motivo da aceleração do acordo de paz com o FILM (Frente Islâmico de Libertação Moro), que se encontra em fase final. Como parte do acordo está a criação de uma nova entidade política regional, Bangsamoro, que substituirá as cinco provinciais da Região Autônoma do Mindanao Muçulmano, muito rica em minerais e favoráveis para a entrada do chamado agronegócio.
O fortalecimento da direita nas eleições representa a intenção do imperialismo de complementar essa política com o enfrentamento a ferro e fogo dos demais movimentos guerrilheiros que não depuseram as armas e continuam enfrentando o novo governo. Existem várias guerrilhas islâmicas e outras de origem camponês, como o Novo Exército Popular, braço armado do Partido Comunista das Filipinas (maoísta), que dominam territórios menores, além de milícias colocadas em pé pelos latifundiários. Ao mesmo tempo, o fortalecimento da política de força visa enfrentar o ascenso do movimento grevista que ameaça transformar-se em confronto aberto conforme a atividade industrial decair devido ao enfraquecimento das exportações.
