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170612 syriza campanhaGrécia - WSWS - [Tradução do Diário Liberdade] Quinta-feira, a Coalizão da Esquerda Radical (Syriza) fez seu comício final em Atenas antes das eleições de domingo.


O acontecimento foi marcado por uma contradição profunda: enquanto muitos dos presentes estão à espera de que o Syriza porá um fim às desastrosas medidas de austeridade que devastaram a Grécia, o Syriza está se preparando para pegar as rédeas de governo, entregar dinheiro aos bancos e negociar medidas de austeridade com a União europeia (UE).

Foram milhares que assistiram ao evento na praça Omonia. O comício levou pessoas de todas as camadas sociais e idades. Além de pessoas de classe média, juventude e estudantes, havia também trabalhadores, desempregados e pensionistas.

Pessoas que assistiam ao comício disseram ao WSWS que esperam que se dê cabo dos ataques sociais ditados pela UE nos últimos anos, os quais trouxeram cortes de salário real de até dois terços, um aumento no desemprego juvenil acima dos 50 por cento, e miséria para as massas.

Grigori acredita que uma renegociação do memorando poderia encontrar eco um pouco por todo o lado na Europa. É professor de Física aposentado e não recebeu a sua pensão nos últimos dois anos. Ele sempre votou no Syriza, enquanto a mulher, que também veio ao comício, votou anteriormente na conservadora Nova Democracia (ND). A sua pensão também foi cortada há vários anos. Agora esperam que Alexis Tsipras, com novas forças, possa renegociar o memorando.

Vangelis Também luta para sobreviver. Tem 28 anos e trabalhou como informático; o seu salário foi reduzido em 30 por cento, enquanto os impostos e os preços aumentaram em massa. Acha que o Syriza é a única esperança para o futuro: "O que fizeram a Troika e o memorando? As nossas vidas ficaram piores. Nom podemos continuar na mesma". A sua namorada, Areti, que trabalha como professora e só ganha 500 euros (US630$) por mês após os cortes, concorda.

Paris e Sana são desempregados. Tiveram uma loja, mas fecharam-na por causa da crise. Sempre apoiaram o Syriza, dizendo que traz esperança às pessoas: "Syriza volta a colocar a vida e a dignidade das pessoas como o mais importante". "Apesar de que a crise era internacional, a corrupção na política na Grécia tornou-a ainda pior", dizem.

Paris acrescenta que não existe verdadeira democracia: "Se Tsipras tiver problemas para negociar o memorando após a eleição, temos que apoiá-lo. Todo mundo tem que ocupar as ruas em toda a Europa"

Ioannis só espera que o Syriza possa negociar prazos melhores com a UE e os credores do que os outros partidos conseguiram. Tem 25 anos e é engenheiro experiente, que veio ao comício por acaso. Após o seu salário ser inicialmente reduzido em 15 por cento, perdeu logo o seu trabalho e foi contratado por uma outra empresa por só 500 euros por mês. "Isso é comum nos novos contratos", afirma.

Ioannis não concorda por completo com a perespectiva do Syriza quanto à UE. A Grécia não deveria ficar na zona de euro a qualquer preço. "Não aceitarei salários de 500 euros", diz. "O euro não significa nada para mim se receber tais salários".

No seu discurso, Tsipras tentou disfarçar a lógica da sua política pró-UE com exigências populistas e assim fazê-lo digerível, tanto para os bancos e agentes da UE, como como para a sua audiência. Uns 100 jornalistas de todo o mundo estavam no comício.

No seu discurso, o líder do Syriza apelou às esperanças dos participantes de comício. Ele repetidamente afirmou que, se ganhar a eleição, o memorando será história. Queixar-se sobre os cortes nos salários dos últimos anos, o aumento do desemprego, a redução de pensões, os impostos mais altos e a privatização em massa de empresas estatais. "A Grécia foi um experimento europeu e internacional, e a população grega cobaias" Disse. "Nos últimos dois anos, padecemos uma catástrofe social".

Tsipras afirmou o que já tem dito em várias entrevistas com a comunicação social internacional e em coletivas de imprensa em Paris e Berlim: o Syriza é nenhuma ameaça para as instituições europeias e para a política internacional de austeridade, e o seu partido esta pronto para reconhecer a dívida, para ficar na UE e para continuar com as necessárias "Reformas estruturais".

Ele repetidamente remarcou que, sob a sua liderança, a Grécia não deixaria a UE, mas sim terá um melhor funcionamento no interior da mesma. "Assumimos a responsabilidade do governo do nosso país, e garantimos fazê-lo de maneira estável, segura e justa para as pessoas e para o país na zona euro", disse. Sobre essas bases, negociaria com a UE: "Substituiremos o memorando ineficaz por um plano de reconstrução nacional, um plano para um modo social e justo de que o país saia da crise. E garantimos a pertença da Grécia à Eurozona".

Da mesma forma, prometeu aos representantes da UE que o Syriza estaria em condições de oferecer negociações razoáveis quanto aos prazos do contrato de empréstimo, porque unicamente o Syriza fala para as pessoas que não assinaram o memorando atua independentemente das estruturas corruptas do país.

Assim ofereceu aplicar os cortes, com algumas mudanças cosméticas, contra a resistência da população, já que vários representantes da UE têm esclarecido há muito que excluirão o país da eurozona se forem aplicadas mudanças substanciais às medidas de austeridade.

A hipocrisia da asseveração de Tsipras o declínio social pode ser freado no interior da UE ficou clara quando trouxe o tema do contrato de empréstimo com o Estado espanhol. "Domingo, vamos a votos também com um olho no Estado espanhol", disse no seu discurso. "O Estado espanhol negociou e teve êxito. Recebeu apoio económico da Europa sem aplicar um memorando. Apesar das ameaças e da extorsão dos credores, está ficando no euro sem um memorando".

Na realidade, em anos recentes os governos espanhóis aplicaram cortes sociais maciços por ordem da UE. O desemprego aumentou até 25 por cento, e acima de 50 por cento entre pessoas novas. O governo quer poupar 27 mil milhões neste ano e a mesma quantidade novamente no próximo ano. Este é o plano de Tsipras para a Grécia.

Tsipras é plenamente consciente disto. Também sabe que uma continuação das medidas de austeridade pelo Syriza levará a lutas sociais agudas. Para esta razão, ele também adotou tons direitistas e nacionalistas no seu discurso. Acentuou várias vezes que o Syriza é a única força realmente patriótica e que o seu governo recuperaria a bandeira grega das mãos da Chanceler alemã Angela Merkel. Ele também reiterou a sua promessa para aumentar a presença policial local.


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