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081211_ceiRússia - Opera Mundi - [Max Altman] Após o fracasso das reformas de Mikhail Gorbachev, Boris Yeltsin ascende ao poder


Foto: Líderes da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia assinam a criação da CEI e aceleram derrocada da URSS

Boris Yeltsin, Stanislas Choukevitch e Leonid Kravtchuk, prsidentes das repúblicas da Rússia, da Bielorússia e da Ucrânia, se reúnem perto de Minsk e, constatando que o tempo da União Soviética havia terminado, dão nascimento em 8 de dezembro de 1991 à CEI (Comunidade de Estados Independentes). Em 21 de dezembro outras oito antigas repúblicas soviéticas - Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Geórgia – se juntam à CEI. Somente os três Estados bálticos – Lituânia, Letônia e Estônia - desejando integrar-se à União Européia, recusam aderir à CEI.

A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recúa na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbachev torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov.

Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso estimula movimentos que Gorbachev não consegue controlar, levando a uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética.

A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, no início do governo. Consistia num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visava liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continuava como principal proprietário, mas seria permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura seria permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento era projetada pela conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo.

A glasnost, ou transparência política, era considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrangia o fim da perseguição aos dissidentes políticos e incluía campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas por intermédio dos meios de comunicação. Avançava ainda na liberalização cultural, com a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abriam espaço às críticas.

A descompressão política, que permite a expressão do descontentamento numa escala inédita desde a Revolução de 1917, combinada com o impasse na condução das reformas econômicas, mergulha a União Soviética numa crise no final dos anos 80. A produção se desorganiza devido à ausência de uma estratégia definida de reestruturação econômica.

A estruturação de um novo sistema é obscura. Organizam-se máfias, constituídas por antigos dirigentes de empresas e ministérios, que se apropriam do patrimônio público e acumulam fortunas. O Partido Comunista se divide em facções antagônicas. A União se desagrega, como resultado da pressão de movimentos nacionalistas e autonomistas nas diversas repúblicas.

Em 19 de agosto de 1991, Gorbachev enfrenta um golpe de Estado dado por civis e militares conservadores, que pretendem manter a União e revogar boa parte das reformas liberalizantes. Mas a reação ao golpe conta com o apoio da maioria das Forças Armadas e da população.

Como consequência da resistência aos golpistas e do enfraquecimento da posição política de Gorbachev, Yeltsin assume o poder de fato, proibindo o funcionamento do Partido Comunista na Rússia. O poder crescente de Yeltsin força a renúncia de Gorbachev, em dezembro de 1991.


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