Os prisioneiros de Guantánamo que apelaram para a greve de fome para protestar contra sua condição desesperadora (presos por tempo indeterminado, sem direito a processo, sem direito a habeas corpus, sem direito a nada) foram privados das condições mais elementares de sua sobrevivência na fortaleza. Perderam todos os bens, incluindo colchões e sabonetes, e são obrigados a dormir no chão de concreto em células solitárias onde faz frio intenso à noite.
Mais da metade dos presos de Guantánamo, 86 para sermos exatos, já recebeu liberação da prisão nos últimos três anos. Estão livres para ir embora. Mas não vão, proibidos pelo governo norte-americano de Obama e do Partido Democrata.
Uma lei de 2013, a Lei da Autorização da Defesa Nacional, dá poderes à Secretaria da Defesa do governo norte-americano para aprovar as transferências dos detidos quando julgar que se trata de questão se segurança nacional. Cinquenta e seis dos 86 presos liberados são do Iêmen. Obama não os liberou, tendo em conta o atentado a bomba frustrado no Natal de 2009, onde um nigeriano teria sido recrutado por iemenitas para promover a explosão.
Pelo menos 23 deles foram forçados a se alimentar pelos militares.
Amarrados a uma cadeira, com braços e pernas imobilizados, recebem, por um tempo que varia de 45 minutos a duas horas, um jorro de líquido quente levado ao estômago por um tubo introduzido na garganta.
Um documento, analisado pela rede Al-Jazeera e o advogado do Centro de Saúde Pública e Direitos Humanos da universidade Johns Hopkins Bloomberg de Saúde Pública, Leonard Rubenstein, diz que os médicos e enfermeiras na base militar são "adjuntos do aparato de segurança" e não estão autorizados a "agir independentemente" no seu trabalho enquanto profissionais de saúde.
É uma violação da ética médica, diz a Associação dos Médicos Americanos, que diz que qualquer paciente tem o direito de recusar a intervenção médica.
É tortura, diz o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.
Quem liga? O governo Obama continua a levar a cabo a política de Bush, que já havia forçado a alimentação de presos em greve de fome no passado. Continua a sustentar os horrores de Guantánamo, mesmo depois da promessa, quando Obama assumiu, de fechar a prisão em Cuba.
É preciso levar adiante uma campanha internacional, pelo fim dos horrores promovidos pelo imperialismo norte-americano em Guantánamo, pelo fim da tortura e imediata libertação dos presos políticos do imperialismo.
Foto: Presos torturados em Guantánamo polo imperialismo ianque.
