Em fevereiro, o Ministério Público denunciou 72 estudantes da USP, que haviam ocupado a reitoria em 2011, por formação de quadrilha. Imediatamente, iniciou-se uma campanha em diversos setores da população contra o processo absurdo, que tem o claro objetivo de reprimir e, assim, colocar na defensiva o movimento estudantil.
Mas não é só no Brasil que o Estado está numa ofensiva contra os movimentos sociais e a população em geral.
Em Florença, Itália, uma das cidades onde há maior ativismo político, está correndo um enorme processo contra 86 pessoas, entre estudantes e trabalhadores.
Nessa cidade, o movimento estudantil, que compreende secundaristas e universitários tem a tradição de promover manifestações em comum com os trabalhadores, bem como de apoiar suas lutas.
Esse processo, que engloba diversos episódios, ocorridos no período de 2008 e início de 2011, no qual a promotoria vê uma conexão, e que vão desde greves operárias até manifestações contra o fascismo e contra a repressão. A conexão certamente há: eram pessoas que sistematicamente participavam de mobilizações. Como no caso da USP, aqui também o verdadeiro motivo do processo é que essas pessoas participavam de uma luta e há a clara tentativa de transformar essa atividade política em crime; uma ditadura com aparência legal, já que de fato não há liberdade para se manifestar.
Cada um dos 86 tem mais de uma acusação, sendo que cinco desses também estão sendo acusados de formação de quadrilha. As acusações são as mais diversas: um grafite em uma prede, desacato a autoridade, resistência a ordem policial ou mesmo a realização de manifestações sem prévia autorização.
Esse é o maior processo em andamento na Itália atualmente. Os ativistas denunciam que boa porte das provas que deram base para o processo foi colhida de maneira ilegal. A polícia faz um verdadeiro serviço de espionagem no movimento estudantil, popular e operário, com escutas, gravações e fotos ilegais. Constam nos autos, por exemplo, mais de cinco mil páginas de transcrições de conversas telefônicas entre os acusados. Por que estudantes tinham seus telefones grampeados, com que motivo?
É evidente que há todo um aparato repressivo que tem como função exclusiva controlar as atividades políticas dentro do País.
A polícia política, como chamam os ativistas, e os métodos repressivos utilizados pelo Estado foram desenvolvidos em reforçados por leis elaboradas contra a máfia e contra a atividade guerrilheira no atos 1970, os chamados “anos de chumbo”.
Aqui, mais uma vez, se verifica que as leis repressivas criadas sob qualquer pretexto, como no caso da máfia, servem para fortalecer o estado e acabam se voltando sempre contra os movimentos de luta, como se verificou nesse caso. No Brasil, as tentativas de criar mais crimes no Código Penal, de aumentar as penas, reduzir a maioridade penal, diminuir as possibilidades de defesa dos réus, com a alegação de tornar a Justiça mais eficiente contra “o crime”, só torna o Estado uma máquina mais eficiente de repressão contra a população.