Seu pronunciamento sobre o caso, o primeiro desde o julgamento da banda, ocorre poucos dias antes da corte avaliar a apelação à sentença condenatória de 17 de agosto e foi mais duro do que anteriores. Nas vésperas do tribunal da Pussy Riot, Putin chegou a pedir que as mulheres não fossem julgadas com muita “dureza”.
Para o advogado da banda, Nikolai Polozov, os comentários do presidente fazem parte de “uma campanha de propaganda planejada que tem como objetivo uma opinião negativa da corte de apelação”. “Isso é pressão sob o tribunal”, acrescentou ele segundo o Guardian.
Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich foram condenadas a dois anos de prisão por tribunal de primeira instância pelo crime de "vandalismo motivado por ódio religioso", mas estão presas desde março deste ano. Centenas de pessoas na Rússia e em outros países do mundo protestaram contra a condenação, sustentando que as ativistas foram perseguidas politicamente.
Para críticos da democracia russa, o julgamento das Pussy Riot foi mais um sinal de que o governo de Putin não tolera críticas nem dissidências. “Estamos pedindo às autoridades russas para tirar suas queixas de vandalismo e soltar imediatamente Maria, Ekaterina e Nadezhda”, disse Kate Allen, diretor da Anistia Internacional do Reino Unido.
Em sua entrevista, Putin negou as acusações e reiterou que não influenciou de nenhuma forma o caso. “Eu não tive nada a ver com isso”, disse ele que aproveitou a oportunidade para criticar os opositores de seu governo. “Existem muitos que não querem fortalecer a Rússia”.
O presidente russo ainda criticou a Pussy Riot, afirmando que o próprio nome da banda é imoral. "Não se deve corroer nossa base moral e prejudicar o país. O que restaria então?", questionou.
Em fevereiro desse ano, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich organizaram um protesto contra o presidente russo, Vladimir Putin, na maior igreja ortodoxado país, a Catedral de Cristo Salvador, na capital Moscou. Vestindo gorros coloridos que encobriam o rosto, as Pussy Riot cantaram “Virgem Maria, expulse Putin” para criticar o apoio do patriarca (cargo mais alto na hierarquia da religião cristã-ortodoxa, a mais seguida na Rússia) na última eleição presidencial.