Estes dados, que provêm do Southern Poverty Law Center (SPLC), instituição dedicada ao acompanhamento dos grupos extremistas no país, revelam o aumento dos movimentos que proclamam a supremacia dos brancos após a chegada à Casa Branca do primeiro presidente afro-americano dos EUA.
"Desde o início comparou-se Obama com Hitler ou Stalin,elaborou-se um discurso no qual o presidente era uma pessoa alheia (aos EUA), não se tratou ele como um americano e se desenhou o presidente como uma ameaça", explicou à agência EFEPeter Kuznick, professor de história da American University de Washington.
As origens do actual presidente e candidato à reeleição aumentaram "indubitavelmente" o surgimento deste tipo de grupo, que na sua maioria têm um carácter violento e, além disso, costumam respaldar com veemência a Segunda Emenda da Constituição americana, que reconhece o direito de se portar armas. "São realmente uma ameaça. Sobretudo porque receberam certa credibilidade por parte dos sectores mais conservadores do Partido Republicano", sentencia Kuznick.
Segundo explica o professor, estes grupos costumavam ser marginalizados pela política, mas com o surgimento do movimento Tea Party obtiveram certo respaldo. "A mensagem do Tea Party não é completamente racista, mas o é de alguma maneira. Os Estados Unidos estão a viver uma polarização ideológica", disse.
Uma mostra recente do surgimento destes grupos, que estão longe de ser simplesmente curiosos, deu-se recentemente com a detenção de quatro ex-soldados que planeavam cometer um atentado contra Obama, gerando previamente cenas de caos que lhes facilitassem o trabalho.
Os quatro ex-militares pertenciam a uma milícia anarquista no estado da Geórgia, e supostamente pretendiam assassinar o presidente dos EUA, mas um dos seus companheiros da base militar na qual estavam destinados descobriu os seus planos, por isso que o mataram e à sua namorada.
Acusados pela Promotoria perante um tribunal federal de "terrorismo interior", três deles enfrentam uma possível pena de morte, enquanto o quarto teve o seu castigo rebaixado por colaborar e confessar durante a investigação.
Os quatro acusados membros da milícia, baseados no Forte Stewart da Geórgia, operavam sob o nome de Forever Enduring Always Ready (Sempre Duradouros Sempre Preparados), cujo acrônimo é FEAR, "medo" em inglês. O seu objectivo não era outro que o próprio Obama, para o qual tinham adquirido a não desdenhável soma de US$ 87 mil em armas.
Segundo explica o SPLC, o aumento deste tipo de grupos foi impulsionado "pela ira e pelo medo diante da debilitada economia do país, a afluência de imigrantes não brancos e a maioria branca decrescente, simbolizada pela escolha do primeiro presidente afro-americano da nação".
Mas não somente são anarquistas. Entre os 1.018 grupos que operam activamente no país, também estão incluídos neo-nazistas, membros do Ku Kux Klan, nacionalistas brancos, neo-confederados, cabeças raspadas de tipo racista, separatistas negros e vigilantes de fronteira, entre outros.
Entre todos eles, o SPLC adverte que os mais violentos na actualidade são os grupos anti-imigrantes, que começaram a emergir na década de 20 e que agora se radicalizaram perante o aumento inter-racial.
Num momento de expansão das minorias no país - os dados de 2011 revelam que pela primeira vez nasceram menos crianças brancas que não brancas segundo o Escritório do Censo - o extremismo ideológico destes grupos se acentua paulatinamente assentando-se em crenças tais como que "o México trama um plano secreto de reconquista" ou que "os líderes de Canadá, EUA e México preparam uma integração com a União Europeia".
"É muito provável que esta radicalização ideológica se acentue até mais. Nos EUA já não somente se está em desacordo com o outro. Há uma grande quantidade de ódio", conclui Kuznick.
Foto: Aporrea - Na faixa diz "Devemos assegurar a existência da nossa raça e um futuro para as nossas crianças brancas"