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100512 maliMali - Rede Brasil Atual - Fome, desnutrição e conflitos armados atingem refugiados, segundo Unicef


Mais de 300 mil malianos estão deslocados no norte de Mali, sendo a metade formada por crianças, de acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A organização divulgou nota ontem apontando que os direitos das crianças têm sido violados na região. Uma longa seca tem gerado crises de fome e desnutrição, e conflitos armados têm provocado o deslocamento dessa população internamente e também para países vizinhos. "As crianças no norte do Mali não estão mais à beira do desastre, agora o desastre já chegou", disse o vice-representante do Unicef no país, Frederic Sizaret.

Muitas países da região do Sahel, na África Ocidental, onde o Mali está localizado, sofrem com uma forte seca. No norte deste país, entretanto, desde janeiro, grupos guerrilheiros tuaregs enfrentam militarmente o governo. De acordo com o Unicef, as guerrilhas têm sequestrado mulheres adultas e meninas e recrutado crianças para comporem suas fileiras. O número de crianças mortas por minas terrestres é inestimável, segundo o relatório.

Em março, o Exército maliano deu um golpe de Estado, depondo o então presidente Amadou Toumani Touré. O grupo golpista afirmava que Touré era pouco rígido com os rebeldes. No mês passado, após o golpe, o Movimento Nacional para Libertação da Azawad (MNLA) declarou a independência do norte do país, mas houve rejeição da parte da União Africana. Esta ameaçou realizar um bloqueio econômico ao país.

"Crianças demais estão estão sofrendo por subnutrição, deslocamento, muitas estão fora da escola, e agora há relatórios credíveis sobre graves violações dos direitos das crianças", afirmou Frederic Sizaret. O Unicef e outras organizações internacionais têm distribuído mensalmente alimentos para cerca de 3 mil crianças desnutridas na região, bem como kits de saúde para mais de 60 mil pessoas. A organização diz ter entregue, do mesmo modo, a mais de 12 mil pessoas equipamentos, como utensílios de cozinha e de higiene.

O auxílio, contudo, não tem sido suficiente. "Sem uma ajuda maior, as crianças em Mali continuarão sofrendo", disse Sizaret. Há a possibilidade de essa população ter surtos de doença, já que muitos são os desnutridos, e 50% das instalações de saúde na região foram destruídos. A organização pede US$ 26 milhões para amparar a população na alimentação e US$ 7,2 milhões para resolver a problemática do deslocamento.

De um modo geral em Mali, a conjuntura social das crianças é complicada, de acordo com a nota. A Unicef estima que entre 175 mil e 220 mil crianças correm o risco de entrar em desnutrição aguda grave.

Mali

Desde sua independência da França em 1960, o Mali foi governado por apenas um partido político. Em 1961, o país foi dividido, formando o Senegal. Uma nova constituição e o estabelecimento da democracia se deram somente em 1991, com Touré, o presidente deposto. O responsável pelo golpe foi o capitão Amadou Sanogo. O país é um dos mais pobres do mundo, com quase metade da sua população vivendo abaixo do limiar da pobreza.

Há uma série de grupos armados no norte do país. Os dois principais são o Movimento Nacional para Libertação da Azawad (MNLA) e o grupo Ansar Dine Islâmico. Muitos dos membros desses grupos lutaram ao lado das forças de Muamar Kadafi na guerra civil da Líbia, no ano passado.


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