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mineirosÁfrica do Sul - PCO - Qual é o significado da greve para o governo de frente popular e para os trabalhadores?


Os mineiros de Marikana voltam ao trabalho, após conseguirem 22% de aumento salarial pela multinacional Lonmin, após mais de cinco semanas em greve e 45 pessoas terem sido assassinadas pela polícia do CNA (Congresso Nacional Africano).

A AMCU (Associação de Sindicatos de Mineiros e Operários da Construção na sigla em inglês) representou os trabalhadores nas negociações, no lugar do NUM (Sindicato Nacional dos Trabalhadores Mineiros) ligado ao CNA.

A greve de Marikana provocou protestos e greves em várias minas de platina (o País é responsável por 80% da produção mundial) e de ouro, que expuseram as péssimas condições de trabalho dos mineiros e a corrupção da burocracia sindical.

Enquanto os trabalhadores de Marikana levantavam a greve, os mineiros da Anglo Platinum, em Johanesburgo, reivindicavam aumento de salários.

No dia 3 de setembro, trabalhadores que protestavam em frente à mina de Springs, controlada pela empresa Gold One, foram reprimidos pela polícia sul-africana. Em junho deste ano, depois de uma série de manifestações, a Gold One conseguiu uma interdição judicial proibindo qualquer tipo de protesto nas suas minas. Como consequência disso, dezenas de trabalhadores foram demitidos, mas muitos continuam a manifestar-se contra a empresa.

A Anglo American, responsável por 45% da produção de platina, em cinco minas no Complexo de Bush-veld, tinha fechado as operações e dado férias coletivas para impedir que os 26 mil trabalhadores aderissem à onda grevista.

Em Gold Fields, 15 mil trabalhadores em greve reivindicam demandas muito parecidas com as de Marikana, além de pedir a democratização do NUM ligados à Cosatu, a central sindical que participa do governo de frente popular.

Na Impala Platinum, o segundo maior produtor, que já esteve em greve no início deste ano, os 30 mil trabalhadores demandam um novo aumento nos salários. O valor das ações caiu 6,1% em apenas uma semana.

O que representa a greve de Marikana?

Apesar do aumento de 22% estar distante das exigências dos trabalhadores, a greve representou um marco na África do Sul, pois foi o primeiro grande confronto dos trabalhadores com o regime corrupto do CNA e a burocracia sindical da Cosatu. Os mecanismos de contenção das massas trabalhadoras pelo regime de frente popular foram ultrapassados e os fatores econômicos que os sustentavam, principalmente, a produção de minerais, deixaram expostos a sua fragilidade.

O setor de mineração de platina tem visto reduzir crescentemente os lucros devido à queda do preço do mineral nos mercados de commodities e ao aumento dos custos de produção devido ao amadurecimento das minas (aumento das dificuldades de produção) e à falta de investimentos adequados após o colapso capitalista de 2007-2008.

Os especuladores financeiros começaram a reduzir os investimentos no País devido às dificuldades do CNA em conter os protestos dos trabalhadores.

A queda da produção nas minas está aprofundando a crise capitalista no País. O déficit público disparou para 6,45% do PIB, a partir de 4,9% no trimestre anterior, representando o maior nível desde 2008.

As exportações caíram devido à menor demanda mundial enquanto as importações aumentaram.

Os valor das ações das mineradoras que operam na África do Sul caiu.

O nível de vida das massas trabalhadoras sul-africanas caiu desde a época do Apartheid, apesar da manipulação das estatísticas feita pelo governo. Segundo dados do Banco Mundial, a expectativa de vida passou de 61 para os 52 anos de idade e o País passou a deter o maior coeficiente Gini no mundo, que mede a desigualdade social. A situação continua sendo altamente explosiva e conforme a crise capitalista continuar se aprofundando deverá evoluir para uma situação revolucionária.


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