Com base na idéia de que os homens nasceram com "maior capacidade intelectual", um dos mais influentes líderes de Israel está fazendo propaganda pela volta da mulher aa o "lar".
Para Zvi Tau, presidente da Har Hamor Yeshiva (centro de ensinos religiosos da Torá e do Talmud), lugar de mulher é em casa, portanto, ela sequer deve ter a mesma educação que os homens, e deve evitar locais.
O líder ultraconservador de Israel diz num folheto que as mulheres, por "vocação natural", não foram feitas para se ocuparem com questões "tão profundas quanto a ciência e a moral", e sim a dar à luz, alimentar e cuidar de crianças (com informações do Opera Mundi).
Para ele, essa orientação não se significa discriminação. Afinal, para ele, "o lar é o habitat natural para as mulheres expressarem suas tendências especiais, e não locais de atividade social (...) . Em casa, sem confusão (...) é onde uma mulher pode viver sua vida plenamente".
Essas declarações vindas de um religioso considerado ultraconservador até mesmo dentro do próprio judaísmo pode parecer apenas mais uma manifestação de sua postura reacionária.
Afinal, a posição das grandes religiões a respeito das mulheres e muito conhecida. A campanha da Igreja Católica contra os métodos contraceptivos, o direito ao aborto, o divórcio, e diversas conquistas da luta pela libertação da mulher percorrem todo o mundo.
Do cristianismo ao islamismo, passando pelo judaísmo, a opinião geral é de defesa da submissão feminina, da destinação natural da mulher à maternidade, portanto, aos cuidados com a casa e os afazeres domésticos, em contrapartida da "pouca afinidade" com a "ciência e a moral", como declarou Zvi Tau.
No entanto, é importante destacar que está se tornando cada dia mais comum manifestações públicas em defesa da permanência da mulher em casa, cuidando das crianças etc.
As primeiras manifestações dessa tendência que parece estar se expandindo para se tornar uma campanha ideológica veio diretamente da burguesia. E tem se intensificado com o avanço da crise econômica.
Em 2011, num dos momentos considerados mais críticos da crise econômica italiana, um industrial demitiu centenas de mulheres utilizando como justificativa o mesmo argumento: "Estamos dispensando as mulheres para que possam ficar em casa e cuidar das crianças".
É interessante perceber que essa vontade de empurrar a mulher para a vida doméstica, privada, aumenta na mesma medida em que aumenta a crise capitalista. É claramente uma inciativa de manter as mulheres num ambiente restrito, longe do debate público e da agitação política que está em marcha no mundo inteiro.
Como a ofensiva conservadora contra o direito das mulheres ao aborto essa campanha é divulgada como se fosse a defesa do "bem", do "futuro", da "vida", das "crianças".
É preciso estar atento a essa verdadeira ofensiva ideológica e moral contra a liberdade das mulheres, ocultada sob uma fachada da "proteção" e "valorização dos dons naturais". A burguesia em crise quer tirar do front de batalha neste momento de crise mundial uma parcela significativa da população mundial. No caso do Brasil, a maioria da população.
A luta ideológica é parte da luta política neste momento de crise. Diante da reação da classe trabalhadora de diversos países do mundo contra os cortes orçamentários, as demissões, a doação de dinheiro público para capitalistas, banqueiros etc., inclusive enfrentando o aparato policial e repressor do Estado, a burguesia precisa lançar mão de outro instrumento de contenção: a ideologia conservadora, a direita e as Igrejas.
Essa é a tentativa de impor uma ideologia atrasada, medieval, contra o progresso não apenas das mulheres como de toda humanidade. É necessário repudiar e denunciar todas as iniciativas nesse sentido e lutar pelos mais amplos direitos democráticos das mulheres, por sua libertação completa do trabalho e da vida doméstica, por sua organização e participação política ampla. Organizar uma contraofensiva pelo fim de toda opressão e discriminação contra as mulheres.