Por esta razão, a publicação destacou que nos últimos 20 anos, de acordo com o estudo, a mortalidade materna foi reduzida em 40% nos países em desenvolvimento.
No entanto, em regiões como a África Subsaariana, apenas 22% das mulheres casadas ou ativas sexualmente recorrem a métodos anticonceptivos, enquanto que em países desenvolvidos esse número sobe para 75%. "Nos países em desenvolvimento, se todas as mulheres que desejam tivessem acesso aos anticonceptivos, o número de mortes maternas poderia baixar 30%", assegura a pesquisa feita por Cleland.
De acordo com essas projeções, em outro estudo, o pesquisador Saifudin Ahmed assinala que o número de vidas, que desta maneira poderiam ser salvas, se aproxima de 104.000 por ano. O próprio Ahmed registra a morte de três milhões de recém-nascidos, a cada ano, em sua grande maioria bebês oriundos de países desenvolvidos e vítimas de complicações na gravidez ou no parto. De acordo com Cleland, a redução do número de gravidezes de risco e a ampliação do intervalo entre duas gravidezes elevariam as possibilidades de sobrevivência para as crianças.
"Nos países desenvolvidos, os riscos de casos de prematuros e com pouco peso no nascimento se duplicam quando a concepção ocorre em menos de seis meses após um nascimento, ao mesmo tempo em que crianças nascidas a menos de dois anos após o irmão que as precedem, possuem 60% de riscos adicionais de morrerem na infância do que os nascidos depois de dois anos", revela Cleland.
Consultada por este jornal, a ginecologista e diretora do Hospital Alvarez, Diana Galimbert, avaliou que "o intervalo entre filhos é muito importante". "Em geral, a mulher que tem uma gravidez muito próxima da anterior não consegue a recuperação de todo o processo, e os bebês possuem mais problemas, sobretudo associados com a prematuridade, quando este intervalo é muito curto. O artigo fala de porcentagens relativas aos casos em que os bebês nascem com intervalos de menos de seis meses. Na Argentina, busca-se que o intervalo de nascimento de um filho para outro seja de dois anos ou mais, para permitir uma amamentação exclusiva e para que a mãe se recupere do processo de gravidez e parto".
Por outro lado, Galimberti explicou que "quando as crianças são filhos de mães menores de 15 anos, os números de mortalidade infantil duplicam". A especialista lembrou que nos países desenvolvidos "não se aceita que não haja acompanhamento pré-natal", enquanto que "nos países do Terceiro Mundo, geralmente, 50% das gravidezes são não planejadas". "É muita coisa", destaca Galimberti, lembrando o trabalho do Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (Eclamc), que chegou a esse resultado. "O que alguém teria que dizer, além do fato de que todos esses números sobre a falta de acesso a anticonceptivos adequados são alarmantes, é que ainda é preciso promover o acompanhamento pré-natal em todos os aspectos. Isso implica que toda mulher, que queira ficar grávida, faça uma análise prévia, para se engravidar nas melhores condições".
Tradução: Cepat.


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