Em março desse ano, um estudo elaborado pela alemãs Minu Hemmati e Rosalie Gardiner foi publicado. Intitulado “Gender and Sustainable Development” (Gênero e Desenvolvimento Sustentável), é possível encontrar nele dados abrangentes sobre as mais diversas situações às quais as mulheres estão submetidas. Estabelecendo como ponto de partida a relação entre ecologia e mulher, o estudo vai se desenvolvendo até alcançar dados sobre a situação material da mulher ao redor do mundo. Dentre os dados e conclusões, informações importantes publicadas pelo Relatório de Desenvolvimento Humano (HDR) em 1995 foram resgatadas e exploradas ao longo da argumentação. Esse relatório é a criação de Mahbub ul Haq, economista paquistanês pioneiro da Teoria do Desenvolvimento Humano.
Haq concluiu, em 1995, que dos 1,3 bilhão de pessoas vivendo em extrema pobreza, 70% são mulheres. A análise tanto nacional quanto internacional leva à conclusão de que a desigualdade entre homens e mulheres está aumentando. Para o autor do estudo, a “globalização” permitiu, ao mesmo tempo, maiores oportunidades econômicas e autonomia às mulheres, mas marginalizou muitas outras. O relatório procura atentar os governos: “O desenvolvimento humano, se não se processa, fica sob ameaça”.
A pesquisa das alemãs denuncia a exploração à mulher, uma vez que são subjugadas, mal pagas, enfrentam condições precárias etc. Com dupla jornada, trabalham dentro e fora de casa. Um estudo da divisão do trabalho doméstico em aldeias de Bangladesh concluiu que as mulheres trabalham cerca de 12 horas po dia, enquanto os homens da mesma aldeia, de 8 a 10 horas.
Em muitas regiões, chegam a gastar até cinco horas coletando lenha e água; e até quatro horas na preparação de alimentos. Na África e na Ásia, as mulheres trabalham cerca de 13 horas a mais do que os homens durante a semana. No sudeste da Ásia, as mulheres fornecem até 90% do trabalho para o cultivo de arroz. Na África, as mulheres dedicam 90% do trabalho na coleta de água e lenha, nos cuidados da família e na preparação de alimentos.
Nos 16 países menos desenvolvidos do mundo, 23% dos domicílios rurais são chefiados por mulheres.
A exploração da força de trabalho feminina é um fenômeno mundial. Até 90% de trabalhadores com dupla jornada (dentro e fora de casa) são mulheres.
Os ramos em que o maior número de mulheres são empregadas são produção manual de peças, tecelagem, solda, processamento de alimento, fabricação de peças para carros e outros. Muitas ainda têm empregos em lugares diferentes, como meio essencial de sobrevivência.
Diante da crise econômica, as mulheres são um dos setores mais atingidos. Direitos básicos de trabalho são negados; uma parcela considerável da população feminina não recebe, sequer, um salário mínimo e um trabalho regular.
Elas representam mão-de-obra barata, temporária, escrava sexual do homem e escrava do lar. Os governos se negam a garantir melhoria de condições à população feminina. Creches, lavanderias e restaurantes comunitários seriam um primeiro passo para libertar a mulher da escravidão do lar. A equidade salarial é a bandeira do movimento feminista há muitos anos, mas esse direito básico sempre lhes foi negado; o que torna claro a farsa democrática que “assegura” a igualdade de todos perante a lei.
Para solucionar essas questões, somente a organização independente das mulheres e a mobilização poderão promover melhorias.