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131211_veilCanadá - PCO - Mulheres que queiram se tornar cidadãs canadenses não poderão usar véus que cubram o rosto.


Afirmando considerar prática extravagante o uso de véus islâmicos o Canadá anunciou na segunda-feira, dia 12, que proibirá a naturalização de mulheres que cubram o rosto.

A notícia foi divulgada pelo próprio ministro de Cidadania do País, Jason Kenny, em entrevista à rede de televisão estatal CBC. Segundo ele, a medida será adotada de forma imediata e todos os juízes que realizam cerimônias de naturalização no país receberão ordens para impedir que as mulheres utilizem burcas, niqabs ou outros véus que cobrem o rosto durante as cerimônias, sob ameaça de perderem o direito ao reconhecimento da cidadania canadense.

Seguindo uma política que está se tornando comum na Europa, em países como Bélgica e França, o representante do governo conservador disse que, "a prática [uso do véu] é muito comum" e "não está relacionada com motivos religiosos".

Por trás da suposta defesa da mulher, a decisão do governo canadense representa uma medida de perseguição contra toda comunidade muçulmana. Mas atinge principalmente as próprias mulheres muçulmanas que já não seriam cidadãs de segunda categoria, mas não seriam sequer consideradas cidadãs.

É preciso ter claro que essas decisões não podem representar uma política positiva, de acordo com os interesses femininos. Primeiro, porque não leva em consideração vontade das próprias mulheres, segundo que não discute com elas o caráter ou significado da decisão, mas usa a força da lei e a chantagem, para forçá-las a uma prática que vai contra suas convicções religiosas e as expõe dentro da sua própria comunidade.

Isso em um país que é propagandeado como amplamente democrático, que promove políticas de imigração, reconhece liberdades individuais de culturas diversas, garante direitos dos homossexuais etc.

Mas a medida não foi tomada por acaso. A notícia sobre a decisão contra as mulheres muçulmanas, foi divulgada no mesmo dia em que o ministro do Meio Ambiente, Peter Kent, anunciou que o Canadá abandonará o Protocolo de Quito, para não pagar multas relacionadas com a não redução de emissões poluentes. O país agora está ao lado dos EUA sequer aderiu ao pacto assinado originalmente em 1997.

O anúncio foi feito poucas horas após o término da Conferência do Clima em Durban, onde o Canadá recebeu pela quarta vez, da ONG Climate Action Network, o prêmio Fóssil do Dia, pela acusação de fazer lobby para a indústria petrolífera.

O governo conservador do primeiro-ministro, Stephen Harper, está se esforçando para mostrar-se como verdadeiro aliado das potências imperialistas, não apenas na política econômica, planos de austeridade e cortes orçamentários, mas também na política repressora, de perseguição a setores oprimidos em seus países.


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