A renda anual dos norte-americanos é estimada em 50 mil dólares por ano. Entre os imigrantes considerados "ilegais" (o termo não é reconhecido pela comunidade internacional), o valor é de 20 mil dólares.
O estudo, realizado entre 2009 e 2011 e divulgado no começo deste mês, revela, entre outras coisas, que o estado da Califórnia concentra cerca de 25% de todos os 11 milhões de imigrantes sem visto no país. Os números evidenciam que a maior parcela dos imigrantes sem documentação não é formada por indivíduos isolados, mas sim por pessoas integradas a famílias, que muitas vezes incluem cidadãos norte-americanos.
O objetivo da USC e dos professores Manuel Pastor e Enrico A. Marcelli, que conduriam o levantamento, é elencar os possíveis efeitos da reforma migratória que está em análise no congresso norte-americano. Segundo Marcelli, o acesso à cidadania aos imigrantes - medida com alta taxa de aprovação entre moradores dos EUA – é acompanhado historicamente pelo aumento de índices sociais, poder aquisitivo e vagas de trabalho com maior nível de exigência profissional; fatores que "alavancam o crescimento econômico entre imigrantes e movimentam a economia interna", afirma.
Em março, agricultores da Califórnia já haviam declarado preocupação com um possível colapso devido à escassez de imigrantes sem visto, pontuando a necessidade de uma reforma migratória para o funcionamento da economia norte-americana.
Outro exemplo: o relatório afirma que um a cada três adultos na região metropolitana de Los Angeles não tem documentações legal. Isso significa que um terço da população adulta da região é composta por imigrantes ou filhos que chegaram de forma irregular aos EUA.
Mais um dado importante segundo a USC é que mais de 50% dos imigrantes estão no país há mais de 10 anos, fato que pode dar evidências que os cidadãos já estão habituados às leis e ao funcionamento da sociedade nos EUA. Ou seja, prontos para serem reconhecidos como cidadãos norte-americanos.
Os autores acreditam que as más condições de trabalho, fruto da condição de "ilegal", geram graves consequências. Um dos exemplos citados por eles é que dois terços das crianças filhas de trabalhadores sem visto vivem na linha da pobreza. "Com documentos ou não, a maioria das crianças da Califórnia tem pelo menos um dos pais de origem estrangeira. Assim, essas famílias serão afetadas com toda certeza com uma mudança na legislação", concluem.
Um estudo do centro conservador Fundação Heritage divulgado nesta segunda-feira (06/04) considera que a reforma migratória provocaria um aumento de US$ 6,3 trilhões do déficit público a longo prazo. O estudo foi publicado na véspera da abertura do período de emendas ao projeto de reforma, que foi apresentado conjuntamente por quatro senadores democratas e republicanos.
